9 de Novembro de 2017 / às 14:53 / em 14 dias

Trump espera que acordos de U$250 bilhões com a China compensem déficit comercial

PEQUIM/XANGAI (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode voltar a seu país comemorando ter fechado acordos de mais de 250 bilhões de dólares em sua primeira viagem a Pequim, mas se estes acordos sobreviverão à expectativa criada por seu valor é outra questão.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante evento em Pequim, na China 09/11/2017 REUTERS/Damir Sagolj

Observados por Trump e pelo presidente chinês, Xi Jinping, em uma cerimônia de assinatura na capital chinesa, a fabricante de aviões Boeing, a General Electric e a gigante de chipas Qualcomm firmaram acordos lucrativos de bilhões de dólares.

“Isto é realmente um milagre”, disse o ministro do Comércio da China, Zhong Shan, em um boletim à imprensa em Pequim.

O acordo de um quarto de trilhão de dólares enfatiza como Trump quer mostrar que está tratando do déficit na balança comercial com a segunda maior economia do mundo, que ele vem criticando há tempos e que chamou de “chocantemente alto” nesta quinta-feira.

Mas as empresas dos EUA ainda têm muitas preocupações de longa data para se queixarem, como a falta de acesso irrestrito ao mercado chinês, a segurança cibernética e a presença crescente do governista Partido Comunista da China dentro de companhias estrangeiras.

William Zarit, presidente do conselho da Câmara de Comércio Americana na China, disse que os acordos indicam “um relacionamento bilateral forte e vibrante” entre os dois países.

“Ainda assim, precisamos nos concentrar em equilibrar o jogo, porque as empresas dos EUA continuam em desvantagem ao fazer negócios na China.”

Empresas norte-americanas de tecnologia, como Facebook e Google, são praticamente barradas na nação asiática, as montadoras de veículos Ford Motor e General Motors precisam operar por meio de joint ventures e os filmes de Hollywood enfrentam um sistema rigoroso de cotas.

“(Estes acordos) permitem a Trump se apresentar como um mestre no fechamento de acordos, ao mesmo tempo distraindo da falta de progresso em reformas estruturais no relacionamento comercial bilateral”, opinou Hugo Brennan, analista de Ásia da consultoria de risco Verisk Maplecroft, em uma nota.

Alguns grandes acordos foram anunciados, entre eles um investimento de 83,7 bilhões de dólares ao longo de 20 anos da China Energy Investment Corp na exploração de gás de xisto e projetos de manufatura química na Virgínia Ocidental, Estado norte-americano de grande produção energética que votou majoritariamente em Trump na eleição de 2016.

“Estou um tanto cético com um número tão grande”, disse Alex Wolf, economista sênior da Aberdeen Standard Investments, ao Fórum de Mercados Globais da Reuters, acrescentando, no entanto, que até agora o tom geral da visita foi “positivo”.

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