December 15, 2017 / 8:28 PM / in 8 months

Leilão de linhas de energia atrai quase R$9 bi com venda de todos os lotes

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de concessões para a construção e operação de linhas de transmissão de energia elétrica no Brasil atraiu nesta sexta-feira investimentos de quase 9 bilhões de reais, de empresas que arremataram todos os 11 empreendimentos ofertados, o que não acontecia em uma licitação do gênero no país desde 2014.

Ao todo, participaram 47 agentes, incluindo investidores estrangeiros como a indiana Sterlite Power Grid, que protagonizaram disputas acirradas e resultaram em deságio médio de 40,46 por cento em relação às receitas máximas dos projetos, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Engie Brasil Energia, da francesa Engie, que entrou no segmento de transmissão com o leilão, também se destacou na licitação, assim como a Neoenergia, que ganhou um projeto que exigirá aportes de 1,35 bilhão de reais.

Apesar dos grandes investimentos —em um leilão marcado pela ausência da gigante chinesa State Grid— as companhias apresentaram lances com fortes deságios, o que também tende a reduzir os retornos aos investidores.

Ganha o leilão o investidor que aceitar receber a menor receita, o que implica em custos menores para os consumidores no futuro, quando as linhas forem entregues —a Aneel estimou uma economia de 15,578 bilhões de reais.

Algumas disputas precisaram ser decididas no chamado leilão viva-voz, acionado quando o deságio oferecido pelo primeiro colocado não supera em 5 por cento o do segundo ou de outros agentes.

“Dos 11 lotes, seis foram fechados no viva-voz”, disse o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Fábio Alves, em entrevista a jornalista após o leilão.

Para especialistas, as boas condições de retorno e o baixo risco envolvido nos negócios de transmissão de eletricidade no Brasil têm atraído muitos investidores.

O apetite é explicado em parte por melhorias na remuneração e no desenho dos contratos oferecidos nos leilões promovidos pelo governo brasileiro para a concessão de novas linhas de transmissão —uma situação que difere de certames realizados há alguns anos; só a partir de 2016 eles voltaram a apresentar maior interesse.

VENCEDORES

De modo geral, houve uma pulverização entre os vencedores, mas a indiana Sterlite Power Grid e a Neoenergia foram as que se destacaram.

A Sterlite, que chegou ao Brasil neste ano, arrematou o terceiro lote do leilão com 35,72 por cento de deságio e receita anual ofertada de 313,1 milhões de reais para linhas de transmissão no Pará e Tocantins. Os investimentos previstos são de 2,78 bilhões de reais, os maiores do certame.

Com a vitória, a empresa reforça sua presença no Brasil após ter surpreendido o mercado ao estrear em um leilão de concessões para novas linhas de energia realizado pelo governo em abril, quando arrematou dois lotes.

Já a Neoenergia levou os lotes 4 e 6, com projetos nos estados de Bahia, Piauí, Tocantins, Ceará e Paraíba, que demandarão investimentos de quase 2 bilhões de reais. A companhia foi a vencedora em número de empreendimentos conquistados.

Paralelamente, o Consórcio Engie Brasil Transmissão venceu o primeiro lote com a oferta de 34,80 por cento de deságio. O investimento previsto, que prevê a construção de linhas no Paraná, é de 2 bilhões de reais, o segundo maior do leilão.

“Esse leilão marca a entrada da Engie Brasil Energia no setor de transmissão de energia no Brasil como uma nova linha de negócios, complementar a nosso portfólio atual de geração”, afirmou o diretor-presidente da empresa, Eduardo Sattamini, em nota.

“Arrematamos lote localizado em Estado no qual já atuamos, o que deve gerar sinergias operacionais. Esse é mais um passo da companhia na busca de geração de valor aos nossos acionistas”, complementou.

O lote 2, de linhas para o escoamento de energia do Piauí e Ceará, foi arrematado pela Celeo Redes Brasil, controlada pela espanhola Elecnor, com oferta de 53,21 por cento de deságio. O investimento previsto para o lote é de 1 bilhão de reais.

O deságio oferecido pela Celeo só foi superado pelo da Cesbe Participações, que levou o lote 5 com desconto de 53,94 por cento para projetos de 194 milhões de reais no Rio Grande do Norte.

Por fim, ficaram com apenas um empreendimento a Construtora Quebec (lote 7), o Consórcio Linha Verde (lote 8), a EEN Energia e Participações (lote 9), o Consórcio BR Energia/Enind Energia (lote 10) e Montago Construtora (lote 11).

Todos os 11 projetos somam 4,9 mil quilômetros de novas linhas a serem construídas e operadas pelos 10 grupos vencedores.

As instalações deverão entrar em operação comercial no prazo de 36 a 60 meses a partir da data de assinatura dos contratos de concessão, o que deve ocorrer em março de 2018.

Por José Roberto Gomes

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