January 8, 2018 / 2:43 PM / 6 months ago

Chuva e nebulosidade começam a preocupar setor de soja do país; ferrugem é ameaça

SÃO PAULO (Reuters) - Chuvas em excesso e nebulosidade em áreas produtoras de soja do Brasil começam a levantar preocupações quanto a atrasos na colheita e à proliferação de doenças, em especial o fungo da ferrugem, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

Terminal com soja no porto de Santos 13/3/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

Na virada do ano, as precipitações eram vistas como essenciais para o desenvolvimento da cultura, que sofreu com a seca no início do plantio, mas a continuidade do tempo chuvoso agora deixa os produtores em alerta quanto à safra 2017/18.

Conforme o Agriculture Weather Dashboard, do terminal Eikon da Thomson Reuters, até 20 de janeiro várias áreas de Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul —Estados do país onde a colheita se inicia primeiro— devem receber cerca de 150 mm ou mais de chuvas. Em alguns caso, como norte de Mato Grosso e Paraná, as precipitações serão acima do normal.

“Muitos produtores, principalmente de Mato Grosso, já começam a ficar ainda mais apreensivos, pois essas chuvas não estão dando tréguas e, com isso, todos os trabalhos de campo, como pulverizações e colheita, estão paralisados”, afirmou o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, em relatório.

“O grande problema disso é que esse tempo extremamente úmido tem propiciado um aumento diário no número de focos de doenças. E, sem o devido controle, as perdas de produtividade poderão vir a ocorrer...”, acrescentou Santos.

No caso da ferrugem, uma das principais doenças que ameaçam a soja, o número de focos no país já soma 89 de 1º de outubro até 8 de janeiro na safra 2017/18, alta de mais de 10 por cento na comparação com o mesmo período da temporada 2016/17, segundo o Consórcio Antiferrugem, parceria público-privada que registra as ocorrências.

A ferrugem é uma doença que pode ser controlada pelas aplicações de fungicidas, mas o tempo úmido dificulta a entrada das máquinas para a pulverização.

Sem insolação adequada, a planta também pode produzir menos do que o potencial. “Esse tempo fechado também reduz as taxas fotossintéticas, o que poderá impactar negativamente na granação e, consequentemente, na produtividade das lavouras”, acrescentou Santos, da Rural Clima.

ATRASO AMENIZA

O impacto só não é maior porque as atividades de campo devem começar mais tarde neste ano, reflexo do atraso no plantio em 2017.

“Há relatos de ferrugem em diversos pontos, mas ainda estamos vendo qual o impacto disso, porque em Mato Grosso há pouca soja para colher. No mês de janeiro, não deve ter muita soja em ponto de colheita no Estado”, disse o analista Adriano Gomes, da AgRural.

Embora o número de casos de ferrugem seja maior no Brasil nesta safra, Mato Grosso registra apenas seis ocorrências, ante oito na mesma época do ciclo passado —a maior incidência é puxada pelo Paraná, com 51 focos até agora em 2017/18.

“Neste momento, não há nenhum grande problema, mas estão todos em alerta. Haverá problema se essa chuvarada continuar até final de janeiro e começo de fevereiro. Até o momento, não dá para falar em perdas”, acrescentou Gomes, que prevê intensificação dos trabalhos em Mato Grosso, maior produtor nacional, apenas após o dia 20.

Na semana passada, o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Antonio Galvan, comentou que a colheita de soja havia começado em “uma ou outra lavourinha” do Estado, mas salientou que os trabalhos estão atrasados e devem ganhar ritmo apenas nas próximas semanas.

Por ora, consultorias e instituições mantêm o otimismo com relação à safra 2017/18. Uma pesquisa da Reuters divulgada na semana passada apontou uma média de produção de 110,2 milhões de toneladas no ciclo, o segundo maior volume da história.

OUTRAS ÁREAS

Enquanto a chuva não dá trégua no centro e no centro-norte do Brasil, o Sul enfrenta condições mais secas, em um sinal da ocorrência do fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico.

“Está com 100 por cento de chance de La Niña ocorrer em janeiro, com ausência de chuvas regulares no Sul e muita chuva no centro-norte do Brasil”, disse Santos, da Rural Clima, que não aposta em manutenção desse padrão no restante da temporada.

Santos prevê retorno das chuvas ao Sul do Brasil já no próximo fim de semana.

Na fronteira agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o tempo continuará aberto ao longo desta semana, segundo o agrometeorologista.

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