April 26, 2018 / 2:55 PM / 7 months ago

Vale busca minimizar efeitos da queda do minério; aposta em prêmios pelo seu produto

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Vale está trabalhando para minimizar efeitos de uma queda dos preços do minério de ferro no segundo trimestre, ante o período anterior, por meio de sua estratégia de substituir produção de menor qualidade com produtos de alto valor, afirmou o CEO da companhia, Fabio Schvartsman, nesta quinta-feira.

REUTERS/Brendan McDermid

Maior produtora global de minério de ferro, a brasileira vem implementando medidas para elevar os prêmios cobrados por seus produtos, diante do aumento da produção em Carajás (PA), com maior teor de ferro, e da administração estoques e “blending” de forma a valorizar rendimentos.

“Nós estamos enfrentando uma situação de redução de preços do minério de ferro”, disse Schvartsman, evitando realizar previsões de valores para o ano, durante uma teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados da empresa nos primeiros três meses do ano.

“O minério de ferro neste momento está aproximadamente 8 dólares mais baixo que a média de preço do primeiro trimestre, o que obviamente faz exigir novamente um esforço da Vale no sentido de compensar, através de outras ações, essa situação.”

A estratégia já vinha sendo administrada pela companhia nos trimestres anteriores, o que levou a limitar perdas nos primeiros três meses deste ano, quando o lucro líquido da companhia caiu 35 por cento ante o mesmo período de 2017, diante de preços mais baixos de sua principal commodity. [nL1N1S22K4]

Segundo o presidente da Vale, o mercado continua “muito estável” no que se refere aos prêmios pagos pelo minério da empresa extraído em Carajás, no Pará, de melhor qualidade.

Schvartsman frisou que os produtos de menor qualidade estão sendo mais penalizados e os de maior qualidade, compensados. Como consequência, frisou que o índice Platts está menos volátil.

“O índice, neste momento, começa a trabalhar dentro daquela nossa linha, de busca de previsibilidade, passa a ser um índice bem mais comportado e, ao nosso juízo, é algo que veio para ficar é estrutural”, disse Schvartsman.

O preço do minério de ferro no mercado físico da China está em cerca de 66 dólares por tonelada, queda de 16,51 por cento desde o pico do ano, registrado em 1º de março, segundo indicador da Metal Bulletin.

As ações da companhia operavam em alta de 1 por cento, no início da tarde.

OFERTA DA VALE

A Vale manteve a previsão de produzir 390 milhões de toneladas neste ano, alta de 6,4 por cento ante 2017, apesar de ponderar que a extração no primeiro semestre do ano deverá ficar semelhante a do mesmo período do ano anterior.

Contribuirá com o aumento da produção a mina S11D, projeto gigante da Vale em Canaã dos Carajás (PA), que tem previsão de produzir de 50 milhões a 55 milhões de toneladas em 2018, ante 22 milhões em 2017.

No entanto, o diretor-executivo de Minerais Ferrosos e Carvão da Vale, Peter Poppinga, reiterou que a Vale não prevê inundar o mercado com minério de ferro de alto teor de Carajás, o que poderia causar impactos nos preços.

“Nós estamos com este tipo de minério completamente ‘sold out’ nos próximos anos, em contratos de longo prazo e colocando inclusive esse minério em novos segmentos”, disse Poppinga, destacando que o produto está indo para diversos mercados, incluindo Leste Europeu, Índia e até mesmo Brasil.

“Algumas usinas brasileiras vão começar a usar o Carajás, nós vamos fazer cabotagem...”, afirmou, sem oferecer mais detalhes.

Um grande percentual de minério de Carajás, segundo o executivo, também está sendo empenhado em pelotização. Poppinga, no entanto, não apresentou números.

A empresa retomou no primeiro trimestre a produção de pelotas na planta de Tubarão II, e prevê ainda reiniciar atividades em Tubarão I e da pelotizadora de São Luís, no segundo e terceiro trimestres, respectivamente, beneficiando-se do aumento dos termos negociados do prêmio de pelotas.

Poppinga disse ainda que os grandes estoques de 160 milhões de toneladas na China não são uma preocupação para a companhia e ressaltou que, do total, cerca 30 milhões estão “encalhados”, uma vez que têm qualidade muito baixa.

“Não me preocupo nem um pouquinho”, disse o executivo, ressaltando que a própria Vale tem uma estratégia de aumentar estoques no exterior para buscar melhores rendimentos futuramente.

Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora

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