December 3, 2018 / 5:34 PM / 4 months ago

Fitch aguarda implementação de agenda de Bolsonaro antes de reavaliar rating do Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro em Brasília 20/11/2018 REUTERS/Adriano Machado

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Fitch vai monitorar a implementação da agenda econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro antes de definir uma mudança na nota de crédito soberano do Brasil, disse o presidente da agência de classificação de risco no país, Rafael Guedes.

Em fevereiro, a Fitch cortou o rating do Brasil para BB-, com perspectiva estável, citando o retrocesso na saúde fiscal do país, após o governo do presidente Michel Temer ter desistido de aprovar a reforma da previdência.

Segundo Guedes, se implementada, a agenda liberal de Bolsonaro ajudará no crescimento econômico do país. Pelas práticas da Fitch, um rating com perspectiva estável, como é o caso do brasileiro, leva em média 18 meses para ser alterado.

O executivo afirmou que a maior preocupação da Fitch é com a sustentabilidade da dívida do Brasil no médio e longo prazos e, por isso diversas reformas precisam ser implementadas, sendo que a previdenciária é a prioritária.

“A reforma da Previdência sem dúvida é essencial e a mais importante, mas não a única. O Brasil tem fraqueza em várias áreas… tem reduzir gastos, sem mais impostos, atrair investimentos e crescer mais”, disse Guedes nesta segunda-feira.

“Para mexer no rating, vai depender de qual reforma da previdência será aprovada. Um período de transição muito longo traz no curto pouco alívio para as contas públicas. Não é fazer a reforma mas sim qual a reforma que será aprovada”, disse.

O governo atual tentou aprovar a reforma no Congresso, mas não teve apoio suficiente. Nos últimos dias, Bolsonaro chegou a dizer que essa proposta é um pouco agressiva com o trabalhador.

Para a Fitch, a mudança de uma previdência para um modelo de capitalização, que tem simpatia do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, também pode ser um problema para o Brasil.

“O problema da capitalização é que ele exige um custo inicial muito alto e as contas fiscais do Brasil não permitem isso. A ideia é boa, mas tem custo que o país não pode no momento arcar”, finalizou o executivo da Fitch.

Por Rodrigo Viga Gaier

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