December 5, 2018 / 2:28 PM / 10 days ago

Ilan diz que voltará ao setor privado, poderia ter ficado no BC se mandato fixo tivesse sido aprovado

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quarta-feira que voltará ao setor privado após deixar o comando da autoridade monetária, acrescentando que poderia ter ficado no cargo caso um mandato fixo para o presidente da autarquia já tivesse sido aprovado em projeto de autonomia para o BC.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, no Palácio do Planalto, em Brasília 10/04/2018 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Eu vim do setor privado e resolvi voltar às origens”, disse ele, ao participar de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Ilan voltou a dizer que sua decisão de não permanecer no posto se deu por motivos pessoais, mas apontou ter “respeito e admiração pelo novo governo e sinais que estão sendo emitidos, na direção correta”.

Questionado sobre a permanência dos atuais diretores do BC no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), ele também afirmou que a ideia inicial é que a diretoria permaneça, quadro que será avaliado ao longo do tempo.

Ilan ressaltou que a transição será tranquila e voltou a prever que deixará o cargo entre fevereiro e março, após o Senado sabatinar e aprovar o nome de Roberto Campos Neto como seu substituto.

Durante sua participação na audiência, Ilan defendeu a autonomia do Banco Central e disse que a aprovação do projeto não significa que a autoridade fará o que quiser, mas que terá independência para chegar na meta que o governo estabelecer.

Ele pontuou que o aspecto mais importante do texto que tramita no Congresso Nacional é a instituição de um mandato para o presidente do BC que não seja coincidente com o do presidente da República.

“Não é saudável a sociedade colocar tudo ao mesmo tempo. Eu, como presidente do Banco Central, tive que responder várias vezes sobre o futuro não só do governo, mas do próprio Banco Central, em meio a um período mais incerto. Isso não precisaria ocorrer ao mesmo tempo”, disse.

Projeto sobre o tema relatado pelo deputado Celso Maldaner (MDB-SC) estabelece que o mandato do presidente do BC terá duração de quatro anos, com início no dia 1º de março do segundo ano de mandato do presidente da República.

Já os diretores da autarquia serão oito no total e terão seus mandatos com inícios diferentes, numa escala de dois diretores a cada ano de mandato presidencial.

Apesar de alguma movimentação nas últimas semanas para o projeto ser apreciado na Câmara dos Deputados, o líder do atual governo na Casa, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou considerar difícil a deliberação da proposta ainda neste ano.

CMN

Com a fusão dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) numa pasta da Economia no governo Bolsonaro, Ilan disse ter confiança que o novo governo vai endereçar a questão da composição do Conselho Monetário Nacional (CMN) “no momento adequado”, mas que o BC deverá continuar participando do colegiado.

O CMN é o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem como responsabilidade formular a política da moeda e do crédito. Por lei de 1995, ele é formado atualmente pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e o presidente do BC.

Em sua fala inicial, Ilan retomou vários pontos que tem destacado em discursos recentes, repetindo, por exemplo, que a aprovação das reformas econômicas, especialmente a da Previdência, é fundamental para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável no Brasil.

Segundo o presidente do BC, com reformas “bem feitas” o país pode crescer em 2019 para além do patamar de 2,4 por cento projetado pela autoridade monetária.

Por Marcela Ayres

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