December 13, 2018 / 2:41 PM / 3 months ago

Colnago diz que venda de imóveis da União pode chegar a R$300 bi, mas é processo complexo

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, afirmou nesta quinta-feira que os imóveis da União que a pasta considera passíveis de serem vendidos poderiam render ao governo cerca de 300 bilhões de reais, pontuando, contudo, que esse processo não seria fácil ou rápido.

O ministro do Planejamento do Brasil, Esteves Colnago, durante entrevista à Reuters 16/07/2018 REUTERS/Paul Hanna

O número representa menos de um terço do valor global do patrimônio imobiliário público federal, estimado pelo Planejamento em 947 bilhões de reais em documento entregue à equipe de transição do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o documento, a lista contempla 676 mil imóveis.

Colnago, que será secretário geral adjunto da Fazenda no superministério da Economia no governo Bolsonaro, destacou que o Planejamento já abriu consulta pública para a criação do primeiro fundo de investimento imobiliário da União, que teria como lastro parte da carteira de imóveis administrada hoje pela Secretaria do Patrimônio da União.

“Vender 300 bilhões em imóveis não é simples, é uma coisa que talvez você tem que repensar a forma de vender ... colocamos em audiência pública proposta de criação de um fundo de investimento imobiliário, talvez seja solução para alguns desses imóveis”, disse ele, em encontro com jornalistas.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, tem dito que a venda de imóveis da União e a privatização de estatais são instrumentos dos quais lançará mão para levantar recursos bilionários e quitar parte da dívida pública.

A jornalistas, Guedes chegou a estimar que, somadas, todas as estatais do país valeriam 802 bilhões de reais, citando cálculos repassados pelo Tesouro Nacional. A venda de todos os imóveis da União renderia, segundo o futuro ministro, outros 800 bilhões de reais.

SERVIDORES NO FOCO

Nesta quinta-feira, Colnago também disse que a atual equipe do Planejamento apresentou ao time de Guedes propostas que estão sendo estudadas para dar maior mobilidade às carreiras do setor público, dentro de sistema visto hoje como oneroso e complexo.

Os planos contemplam a redução das 309 carreiras para “algo inferior a 20”.

Dentro desse desenho, que valeria apenas para os novos servidores, os salários de entrada seriam mais próximos do que a iniciativa privada paga, rondando entre 5 mil e 7 mil reais.

O salário final permaneceria nos níveis atuais, entre 24 mil e 25 mil reais, mas só seriam alcançados por aqueles que se destacassem ao longo da carreira, afirmou Colnago.

Questionado sobre a possibilidade de o governo alterar a garantia de estabilidade no funcionalismo, ele afirmou que a ideia é na verdade regulamentar uma possibilidade dada pela Constituição “de medir desempenho dos servidores e, dependendo, caminhar para processo de demissão”.

“Estamos ainda conversando com a equipe de transição. Quem vai implementar, se for implementar, é o novo governo. Na minha concepção isso é tão difícil quanto uma reforma da Previdência”, admitiu.

Ao longo de sua fala, o ministro reforçou que não há alternativa para o país que não seja a continuidade e o aprofundamento das reformas econômicas.

Nesse sentido, destacou que a reforma previdenciária é imprescindível, mas que também há necessidade de reformas na área tributária, na administração do setor público e para ganhos de produtividade.

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