November 12, 2019 / 5:06 PM / a month ago

Caixa Econômica deve encolher o crédito nos próximos anos

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal deve encolher sua carteira de crédito, uma vez que não renova operações com grandes empresas e planeja securitizar parte do empréstimo imobiliário, disse nesta terça-feira o presidente-executivo do banco, Pedro Guimarães.

A Caixa Econômica Federal tende a encolher sua carteira de crédito mais adiante, à medida que não renova operações com grandes empresas e planeja securitizar parte dos empréstimos imobiliários, disse nesta terça-feira o presidente-executivo do banco estatal, Pedro Guimarães. REUTERS/Aluisio Alves

“Nossa carteira de crédito deve diminuir”, disse Guimarães a jornalistas ao comentar resultados do terceiro trimestre.

O banco estatal divulgou mais cedo que sua carteira de crédito fechou setembro em 683,2 bilhões de reais, recuo de 1,5% em 12 meses, movimento puxado sobretudo pela queda de 5% no estoque de empréstimos para grandes empresas.

Segundo Guimarães, a Caixa não está renovando operações com grandes empresas, incluindo a Petrobras, tendência que vai manter, enquanto se concentra nas operações para pessoas físicas e para pequenas e médias empresas.

“Não é papel da Caixa financiar quem pode pegar recursos no mercado”, afirmou Guimarães.

As declarações ilustram uma postura diametralmente oposta adotada pela atual gestão àquela praticada durante a última década, quando a Caixa foi um dos principais veículos usados pelo governo federal para tentar reativar a economia com base na maior oferta de empréstimos.

Guimarães, veterano da indústria de banco de investimentos, voltou a enfatizar que dará à Caixa uma gestão mais similar à exercida nos grandes bancos privados no país, inclusive elevando os índices de rentabilidade.

Além de desidratar a carteira de empréstimos corporativos, a Caixa também pretende vender no mercado parte do crédito imobiliário gerado dentro do banco. Maior do país no setor, a Caixa fechou setembro com 456,3 bilhões de reais em empréstimo imobiliário.

“Não faz sentido termos mais de 450 bilhões de reais de uma carteira no nosso balanço”, argumentou Guimarães. “Podemos ter 300 bilhões.”

O banco divulgou mais cedo que teve lucro líquido de 8 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 66,7% ante mesmo período de 2018. O salto foi influenciado pela venda de uma carteira de 7 bilhões de reais em NTN-B, que faziam parte de um hedge para fazer frente a obrigações totais de 40 bilhões de reais em instrumentos híbridos de capital, num empréstimo tomado do governo anos atrás. Na base recorrente, o lucro foi de 4,2 bilhões, queda de 14,2%.

O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido foi de 14,2% no trimestre, queda de 5 pontos percentuais ano a ano. Para o executivo, o banco tende a operar com este índice ao redor de 15%, uma vez que diminua o patrimônio líquido para consumir o excesso de capital e termine de devolver os empréstimos ao governo, operação que exige alocação de capital.

IPOs

Guimarães disse ainda que a Caixa deve definir nas próximas semanas as parcerias em oito segmentos de mercado na área de seguros. Essa definição faz parte dos preparativos para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de seu braço no setor, a Caixa Seguridade.

Outra divisão que deve ser listada em bolsa em 2020 é a Caixa Cartões. Nessa, disse Guimarães, também há duas negociações em andamento para formação de joint ventures, antes do IPO.

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