January 23, 2020 / 8:17 PM / a month ago

EXCLUSIVO-Malásia comprará mais açúcar da Índia para resolver disputa sobre óleo de palma

Trabalhador carrega um maço de cana na cabeça em uma fazenda perto de Modinagar, no Estado de Uttar Pradesh, na Índia 04/03/2016 REUTERS/Anindito Mukherjee

KUALA LUMPUR (Reuters) - A principal refinadora de açúcar da Malásia anunciou que vai aumentar as compras da commodity junto à Índia —o que, segundo duas fontes, faz parte de um esforço para apaziguar a situação malaia com Nova Délhi, em meio a uma disputa a respeito de importações de óleo de palma.

A MSM Malaysia Holdings Berhad comprará 130 mil toneladas de açúcar bruto da Índia no primeiro trimestre, em negócios avaliados em 200 milhões de ringgits (49,20 milhões de dólares), disse a empresa à Reuters. Em 2019, a companhia adquiriu cerca de 88 mil toneladas de açúcar bruto indiano.

A MSM é o braço de refino de açúcar da FGV Holdings, maior produtora de óleo de palma do mundo, que por sua vez é uma unidade da estatal malaia Federal Land Development Authority (Felda).

A empresa não citou a disputa relacionada ao comércio de óleo de palma como uma razão para o incremento nas aquisições.

Mas as duas fontes, familiarizadas com as negociações entre a empresa e o governo sobre as compras, disseram que trata-se de uma tentativa de acalmar a Índia, que vem pedindo à Malásia para que o déficit comercial entre os países seja reduzido.

A Índia, maior compradora de óleos vegetais do mundo, efetivamente interrompeu as importações de óleo de palma malaio no mês passado, aparentemente em retaliação a comentários do primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, criticando a política de Nova Délhi sobre a Caxemira.

A Malásia afirmou que irá procurar outros mercados para a venda de óleo de palma, mas isso pode não ser tão simples, já que a Índia foi a maior compradora do produto malaio nos últimos cinco anos, adquirindo 4,4 milhões de toneladas em 2019.

Por outro lado, a Malásia importou um total de 1,95 milhão de toneladas de açúcar bruto da Índia em 2019, de acordo com dados da Organização Internacional do Açúcar disponibilizados no Refinitiv Eikon. Geralmente o país compra mais açúcar do Brasil e da Tailândia do que da Índia.

Reportagem de A. Ananthalakshmi, com reportagem adicional de Rajendra Jadhav em Mumbai

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