February 5, 2020 / 2:51 PM / in 5 months

Déficit comercial dos EUA cai em 2019 pela primeira vez em 6 anos

WASHINGTON (Reuters) - O déficit comercial dos Estados Unidos caiu pela primeira vez em seis anos em 2019, quando a guerra comercial entre a Casa Branca e a China reduziu a conta de importação, mantendo a economia em crescimento moderado apesar de uma desaceleração nos gastos do consumidor e do investimento empresarial fraco.

Terminal portuário em Mount Pleasant, Carolina do Sul, EUA 10/05/2018 REUTERS/Randall Hill

O relatório do Departamento de Comércio divulgado nesta quarta-feira também mostrou que a agenda “América Primeiro” do governo Trump diminuiu o fluxo de mercadorias no ano passado, com as exportações caindo pela primeira vez desde 2016. O presidente Donald Trump, que se autodenomina “o homem das tarifas” comprometeu-se a reduzir o déficit interrompendo importações negociadas injustamente e renegociando acordos de livre comércio.

Trump argumentou que o corte substancial do déficit comercial aumentará o crescimento econômico anual para 3% de forma sustentável. A economia, no entanto, não atingiu essa marca, crescendo 2,3% em 2019, resultado mais lento em três anos, depois de expandir 2,9% em 2018.

O déficit comercial caiu 1,7% para 616,8 bilhões de dólares no ano passado, diminuindo pela primeira vez desde 2013. Isso representou 2,9% do PIB, abaixo dos 3,0% de 2018. As importações de bens caíram 1,7% no ano passado em meio a fortes declínios em materiais e suprimentos industriais, bens de consumo e outros bens.

A queda de 1,3% nas exportações foi liderada por reduções nos embarques de bens de capital, insumos e materiais industriais, além de outros bens.

No auge da guerra comercial EUA-China, no ano passado, Washington impôs tarifas sobre bilhões de dólares em mercadorias chinesas, incluindo produtos de consumo, levando a um declínio nas importações.

O déficit comercial de mercadorias politicamente sensíveis com a China caiu 17,6% em 2019, para 345,6 bilhões de dólares.

A Casa Branca também brigou com outros parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Brasil e Argentina, acusando-os de desvalorizarem suas moedas às custas da indústria norte-americana.

As importações de mercadorias se recuperaram acentuadamente em dezembro, impulsionando o déficit comercial a 11,9%, para 48,9 bilhões naquele mês. Os dados de novembro foram revisados para mostrar déficit de 43,7 bilhões de dólares, em vez dos 43,1 bilhões relatados anteriormente.

Economistas consultados pela Reuters previam que o déficit comercial aumentaria para 48,2 bilhões de dólares em dezembro.

Em dezembro, as importações de mercadorias subiram 3,2%, atingindo uma máxima em sete meses de 207,5 bilhões de dólares depois de cair por três meses consecutivos.

As importações de mercadorias foram impulsionadas por um aumento de 1,7 bilhão de dólares nas importações de petróleo, o que contribuiu para um salto de 4,0 bilhões nas importações de insumos e materiais industriais. Houve também um aumento de 1,2 bilhão de dólares nas importações de outros bens.

Por Lucia Mutikani

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