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Exportações de commodities do Brasil têm dados mistos; coronavírus impactará em breve

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de commodities do Brasil, que têm na China o principal cliente, ainda não deram na primeira semana de fevereiro indicações claras de efeitos negativos do coronavírus, mas isso deverá ocorrer em breve, avaliou nesta segunda-feira a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

24/3/2018 REUTERS/Roberto Samora

Os dados gerais sobre preços de produtos exportados e dos volumes embarcados foram mistos, segundo as médias diárias dos embarques divulgadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) nesta segunda-feira.

No caso da soja e minério de ferro, os preços até subiram alguns dólares por tonelada na comparação com janeiro, o que indica embarques de negócios fechados antes de as notícias sobre o coronavírus ganharem força, disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, à Reuters.

“Nada de impacto do coronavírus ainda, é muito cedo, são praticamente duas semanas de coronavírus... mas a expectativa é de que vai ter uma queda (na exportação)... Acho que o impacto começa a partir da segunda quinzena de fevereiro”, acrescentou Castro.

“Este ano vai ser comprometido, pode até ter uma recuperação lá na frente, mas como um todo vai ser afetado”, acrescentou, ressaltando que é difícil estimar qual será o impacto.

“Pode ser que venha a ter queda de preço, mas não na quantidade, mas pode vir os dois (queda no preço e quantidade)”, comentou, explicando que há ainda incertezas sobre quanto tempo os problemas gerados pelo coronavírus vão durar.

Em volumes, as exportações de soja e minério de ferro do Brasil começaram fevereiro mais fracas na comparação com a média diária de embarques no mesmo mês do ano passado, mas subiram ante janeiro.

Já os embarques de carnes e petróleo, que também têm os chineses como principais compradores, registraram aumentos na média diária ante dados completos de fevereiro de 2019 e também na comparação com janeiro.

As informações da Secex, do Ministério da Economia, foram publicadas em um momento em que há temores sobre o impacto das compras da China para a economia devido ao alastramento de casos de coronavírus no país asiático, maior comprador de commodities do Brasil. Os dados da tabela não trazem separação sobre o destino dos embarques.

No caso da soja, as exportações do Brasil somaram 198,6 mil toneladas/dia nos primeiros cinco dias úteis de fevereiro, versus 67,6 mil toneladas/dia em janeiro e 263,4 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.

As exportações de soja do Brasil este ano, contudo, começaram a ganhar força tardiamente, uma vez que a colheita teve um atraso ante 2019, o que explica a queda ante fevereiro do ano passado neste início do mês.

Analistas especializados em soja consultados pela Reuters têm dito que há incertezas sobre o impacto do coronavírus nos embarques brasileiros, e que a demanda chinesa esteve forte na semana passada, com a soja brasileira mais competitiva em período de início de colheita.

A programação de navios com a oleaginosa em fevereiro, considerando todo o mês, está mais forte, segundo a agência marítima Cargonave.

No caso do minério de ferro, os embarques atingiram 1,27 milhão de toneladas ao dia na primeira semana útil de fevereiro, versus 1,2 milhão de toneladas em janeiro e 1,4 milhão em fevereiro de 2019, quando o impacto do desastre de Brumadinho (MG) ainda não havia sido sentido.

Os embarques de minério de ferro do Brasil têm sido pressionados por chuvas neste início de ano, apontaram analistas do UBS na semana passada. O tempo chuvoso também costuma atrapalhar embarques de grãos, como a soja.

Já as exportações de petróleo do Brasil somaram 444 mil toneladas ao dia na primeira semana de fevereiro, ante 195 mil em janeiro e 191 mil em fevereiro do ano passado.

Ainda que os preços do petróleo estejam em queda livre, a Petrobras , principal exportadora no país, afirmou na semana passada que não sentiu nos embarques o impacto do coronavírus sobre suas vendas à China.

Já as exportações de carnes subiram na comparação mensal e anual, com a China mostrando seu apetite para suprir um mercado deficitário, depois que a peste suína africana dizimou boa parte do plantel chinês.

A exportação de carne bovina do Brasil atingiu 6,7 mil toneladas/dia na primeira semana de fevereiro, ante 5,3 mil toneladas em janeiro e 5,8 mil toneladas/dia em fevereiro do ano passado.

No caso dos embarques de carne de frango, somaram 22,5 mil toneladas/dia, versus 13,7 mil toneladas na média de janeiro e 14,5 mil tonelada/dia em fevereiro do ano passado.

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