March 3, 2020 / 10:16 PM / in a month

Com vendas mais fracas à China, exportação de carne do Brasil recua em fevereiro

Processamento de carne bovina em frigorífico em Promissão (SP) 07/10/2011 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - As exportações de carne bovina do Brasil recuaram cerca de 3% em fevereiro na comparação com janeiro e caíram 6% ante o mesmo mês de 2019, em meio a uma desaceleração nas compras pela China, disse nesta terça-feira a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela entidade, os embarques do produto (in natura e processado) totalizaram 131.227 toneladas no mês passado, contra 135.451 toneladas movimentadas em janeiro.

Mesmo com a retração em volume, os “bons preços obtidos pelo produto brasileiro no mercado internacional” fizeram com que a receita com as exportações avançasse 9% no ano a ano, atingindo a marca de 564,6 milhões de dólares, apontou a Abrafrigo.

A associação destacou que a China continua como o principal destino da carne bovina brasileira, com fatia de mercado de 52,5%, mas reduziu o ritmo de aquisições.

Considerando as compras da China continental e de Hong Kong, fevereiro registrou um recuo de 19,3% na comparação com janeiro, a 62.382 toneladas —uma queda percentual muito maior do que a verificada nas exportações totais brasileiras.

O país asiático tem enfrentado uma grave epidemia de coronavírus, que afetou toda a conjuntura econômica local, incluindo a demanda por carne bovina, especialmente depois dos amplos estoques formados para o Ano Novo Lunar, que acabaram não sendo totalmente consumidos.

Na segunda-feira, ao divulgar a balança comercial brasileira de fevereiro, o subsecretário de inteligência e estatísticas de comércio exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, havia dito que o setor de carnes é um dos que já sentem efeitos de coronavírus.

Brandão afirmou em entrevista coletiva que exportadores de carne relataram um baixo movimento no começo do mês por não conseguirem desembarcar suas mercadorias por falta de contêiner e mão de obra nos portos chineses.

Por Gabriel Araujo

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