April 3, 2020 / 1:00 PM / in 2 months

Opep+ debate maior corte na produção de petróleo já realizado; Brent sobe 9%

DUBAI/LONDRES/MOSCOU (Reuters) - A Opep e aliados estão trabalhando em um acordo para um corte de produção sem precedentes, equivalente a cerca de 10% da oferta global, disse uma fonte do cartel, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pedido às nações petrolíferas que tomassem medidas para lidar com os efeitos pandemia de coronavírus.

Logo da Opep na sede do grupo, em Viena, Áustria 19/06/2018 REUTERS/Leonhard Foeger

Uma reunião da Opep e de aliados como a Rússia foi marcada para segunda-feira, mas os detalhes ainda eram escassos sobre a distribuição exata dos cortes de produção.

Os preços do petróleo chegaram a cair para cerca de 20 dólares por barril, ante 65 dólares no início do ano, à medida que mais de 3 bilhões de pessoas entraram em um isolamento por causa do vírus, reduzindo a demanda global de petróleo em até um terço ou 30 milhões de barris por dia.

Trump disse na quinta-feira que havia falado com o presidente russo, Vladimir Putin, e com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, e que eles concordaram em reduzir o fornecimento em 10-15 milhões de barris ao dia (bpd) do suprimento global total de cerca de 100 milhões de bpd.

Trump disse que não fez concessões à Arábia Saudita e à Rússia, como concordar com um corte na produção doméstica dos EUA —um movimento proibido pela legislação antitruste dos EUA.

Algumas autoridades americanas sugeriram que a produção dos EUA estava programada para um declínio acentuado de qualquer maneira devido aos preços baixos.

“Os EUA precisam contribuir com o óleo de xisto”, disse uma fonte da Opep.

A Rússia há muito expressa a frustração de que seus cortes conjuntos com a Opep estavam apenas emprestando apoio aos produtores de xisto dos EUA de alto custo.

Uma segunda fonte da Opep disse que qualquer corte superior a 10 milhões de bpd deve incluir produtores de fora da Opep+, uma aliança que inclui membros da Opep, Rússia e outros produtores, mas exclui nações petrolíferas como Estados Unidos, Canadá, Noruega e Brasil.

A segunda fonte acrescentou que a Opep+ estava de olho no resultado de uma reunião entre Trump e empresas petrolíferas ainda na sexta-feira e que um número final sobre cortes depende da participação de todos os produtores de petróleo. Jason Kenney, o primeiro-ministro de Alberta, a principal província produtora de petróleo do Canadá, disse na quinta-feira que Alberta estava aberta a se juntar a um acordo de corte de produção.

Os preços do petróleo se recuperaram das baixas de 20 dólares por barril esta semana, com o Brent sendo negociado perto de 33 dólares por barril nesta sexta-feira, com alta de cerca de 9%.

Por Rania El Gamal, Alex Lawler e Olesya Astakhova

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