April 20, 2020 / 9:16 PM / a month ago

ENTREVISTA-Terra Santa Agro mira venda de áreas para reduzir dívida, diz CEO

SÃO PAULO (Reuters) - A Terra Santo Agro, uma das principais companhias produtoras de grãos no país, percebeu sinais de aquecimento na demanda por áreas agrícolas para a safra 2020/21 e está atenta a oportunidades de venda que contribuam para reduzir as dívidas da empresa, disse o CEO, José Humberto Prata Teodoro Júnior.

07/02/2013. REUTERS/Paulo Whitaker

“Os produtores de grãos estão mais capitalizados por causa do câmbio e interessados em aquisições... Sim, estamos atentos e podemos aproveitar o momento (para vender), e isso pode ser desde um negócio pontual até operações maiores e mais significativas que ajudam a melhorar nosso perfil de endividamento”, afirmou o executivo em entrevista à Reuters.

“É possível que tenhamos boas oportunidades de (negociação) de terras nos próximos meses”, acrescentou o executivo, sem detalhar o que estaria em negociação.

A companhia conta com um portfólio de terras —situadas em Mato Grosso, principal Estado agrícola do país— de aproximadamente 133,4 mil hectares, sendo que quase 90 mil são áreas próprias, conforme dados atualizados em meados de março.

Reduzir o nível de dívidas é uma das estratégias financeiras da Terra Santa Agro. Em 31 de dezembro de 2019, o endividamento líquido ajustado da companhia atingiu 1,154 bilhão de reais, 4% inferior ao montante registrado um ano antes.

No endividamento financeiro, a dívida em dólar representava 90% do total, com um custo médio de 6,2% ao ano, conforme o balanço mais recente.

Para não perder a geração de caixa vinda da safra de grãos, Teodoro explicou que o mais provável a acontecer é a comercialização da terra e, em seguida, a tentativa de arrendamento da mesma para seguir com a produção.

Teodoro ressaltou que em tempos de crise, como a pandemia do coronavírus, o setor agrícola acaba sendo muito beneficiado pela desvalorização da moeda local em relação ao dólar.

“Quando a taxa de câmbio muda, o Brasil fica mais competitivo do que os Estados Unidos nas exportações de grãos... os preços internacionais, em dólar, caem um pouco, achatando as margens dos americanos, mas no Brasil temos o câmbio para compensar essa queda.”

O dólar fechou em firme alta ante o real nesta segunda-feira, alcançando a segunda maior cotação da história, em dia negativo nos mercados financeiros no mundo com o colapso dos preços do petróleo agravando a percepção de piora para a economia global. O dólar subiu 1,40%, a 5,3092 reais na venda.

PRODUÇÃO E COVID-19

O CEO da Terra Santa disse que a safra 2020/21 já está planejada e a ideia inicial é manter as áreas cultivadas com soja e milho, e expandir as lavouras de algodão.

“Enquanto a soja e milho estão sendo amplamente beneficiados pela valorização do dólar e a demanda segue firme, os negócios de algodão foram os mais prejudicados pela crise do coronavírus... mas ainda assim, vamos ampliar a área, porque nosso custo de produção de algodão é baixo e trata-se da cultura com melhor rentabilidade média por hectare”.

Segundo o CEO, o faturamento média da soja é de 4 mil reais por hectare; no milho, esta receita fica em torno de 3 mil reais por hectare, e no algodão, “chegamos a faturar 11 mil reais com um hectare, ou seja, nossa margem de lucro é melhor”, afirmou.

A China, maior compradora global da pluma, restringiu a logística nos portos do país em meados de janeiro e fevereiro, como medida de contenção contra o coronavírus e, com isso, os embarques de algodão que estavam agendados foram postergados.

“Desde de janeiro fomos afetados pelos impactos da Covid-19 neste setor e, como não houve a entrega, ficamos sem a contrapartida, o caixa que seria gerado (com os pagamentos)”, disse Teodoro.

Passadas as medidas mais restritivas, as operações começam a ser retomadas “timidamente”. “Eu diria que de 100% dos embarques postergados, 20% ou 30% vão acontecer nos próximos meses. O restante ficará para o segundo semestre”, estimou.

Com o desenho da safra 2020/21 traçado, a expectativa da Terra Santa é que, nas próximas semanas, 100% dos insumos para soja e milho estejam adquiridos e de 70% a 75% da comercialização da soja e milho da próxima temporada seja concluída, disse o CEO.

“No algodão, entendemos que o momento é de muita incerteza. Estamos monitorando o mercado e não há espaço para antecipar as vendas com rentabilidade, mas isso pode melhorar mais pra frente.”

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