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Dólar tem maior queda de dois dias desde 2009 com exterior e cena local

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar despencou quase 3% ante o real nesta quarta-feira, em forte queda pelo segundo pregão consecutivo, diante da combinação entre exterior favorável a risco e percepção de tentativas de alívio nas tensões políticas em Brasília.

Notas do Real e do dólar norte-americano são dispostas em corretora no Rio de Janeiro, Brasil 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

Do lado externo, resultados promissores de um medicamento contra o Covid-19 já vinham animando os mercados ao longo do dia. E o sentimento positivo foi endossado por declarações do chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell.

“Embora pareça que o Fomc compartilhe da incerteza (geral por causa do vírus), também é aparente que ele está comprometido a fazer até mais para apoiar a economia, se necessário”, disse o banco Wells Fargo em nota. Com mais estímulos, há aumento de oferta de dólar, o que ajuda a baixar o preço da moeda.

A fala de Powell veio depois de dados mais cedo mostrarem um tombo na economia norte-americana no primeiro trimestre.

A queda do dólar no Brasil também foi amparada por mais sinalizações de força ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que participa neste momento de entrevista coletiva junto ao ministro da Casa Civil, Braga Netto, quando os dois descartaram haver desavenças sobre medidas do governo para a retomada econômica. Mais cedo, Guedes havia dito ter apoio do presidente Jair Bolsonaro para seguir em frente com a mesma agenda de política econômica que sempre defendeu.

O dólar à vista caiu 2,94%, a 5,3552 reais na venda, maior queda diária desde 8 de junho de 2018 (-5,59%).

Em dois pregões, a moeda acumula desvalorização de 5,45%, a mais forte para o período desde o tombo de 6,64% dos dias 5 e 6 de janeiro de 2009, quando o mundo ainda tentava debelar a até então maior crise financeira desde a Grande Depressão da década de 1930.

Na B3, o dólar futuro cedia 2,70% nesta quarta, a 5,3475 reais.

Com a aproximação do fim do mês, operadores comentaram ainda sobre a queda nas taxas de rolagem de dólar futuro, sinal de menor demanda por manutenção de posições na moeda. A taxa de rolagem entre os vencimentos maio e junho --que na véspera chegou a 10,5000 pontos-- bateu uma mínima nesta quarta de 7,9900 pontos, depois de começar o dia em 10,0000 pontos.

O grau de incerteza com o câmbio medido pela volatilidade implícita caiu nesta sessão, embora ainda esteja próxima dos picos recentes. Mas o Citi acredita que o movimento deve continuar.

“Embora não esteja claro qual é o topo para o dólar/real, reiteramos que a intervenção geralmente agressiva estabiliza uma moeda por mais ou menos um mês. E a volatilidade implícita geralmente cai”, completaram, referindo-se à recente intensificação nas atuações cambiais pelo Banco Central.

Com a forte queda do dólar nos últimos dois pregões, a divisa reduziu a alta no mês para 3,10%. Mas ainda sobe 33,45% em 2020.

Nesta sessão, o real mais uma vez esteve entre os destaques positivos nos mercados globais de câmbio. Rand sul-africano (+3%), peso colombiano (+2,75%), peso mexicano (+2,4%) e rublo russo (+1,67%) completaram a lista de ganhadores do dia.

De forma geral o pregão foi marcado por fraqueza generalizada do dólar. O índice da moeda contra uma cesta de seis rivais caía 0,4% no fim da tarde.

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