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Cteep mantém dividendos e ainda avalia aquisições apesar do coronavírus

SÃO PAULO (Reuters) - A transmissora de energia ISA Cteep não vê necessidade de alterar sua política de distribuição de dividendos aos acionistas no momento devido à pandemia de coronavírus, disse nesta quinta-feira um executivo da elétrica, destacando também que a empresa segue avaliando oportunidades de aquisições de ativos.

Linhas de transmissão de energia 31/08/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

“A companhia segue ativa, no sentido de que este momento gera também oportunidades... empresas que possuem necessidade de caixa ou por outra razão, até para cumprir (obrigações de) outros projetos, têm buscado M&A (fusões e aquisições) e a companhia tem avaliado algumas oportunidades”, afirmou o diretor financeiro, Alessandro Gregori.

“Estamos olhando, mas tudo isso com cautela, sabendo que o mercado hoje é um mercado com mais incertezas do que estava no começo do ano”, acrescentou o executivo, em teleconferência com acionistas e investidores sobre os resultados do primeiro trimestre.

Ele também destacou que a Cteep, controlada pelo grupo colombiano ISA, não sofre até o momento reflexos maiores da pandemia em suas receitas, embora medidas de isolamento adotadas pelo país para evitar a propagação do vírus possam eventualmente impactar o cronograma de projetos em andamento.

“Obviamente, se a gente sentir algum tipo de agravamento que possa impactar a liquidez da companhia pode voltar e rever esse assunto, mas aparentemente, até o momento, não há necessidade de rever a prática de distribuição de proventos”, afirmou Gregori.

A Cteep prevê distribuições de proventos em 2020 em abril, junho, outubro e dezembro (com pagamento em 2021).

“A forte geração de caixa permite crescimento e distribuição de proventos. Estimamos cumprir a distribuição de pelo menos 75% do lucro regulatório”, apontou o diretor financeiro.

Os impactos da crise do coronavírus sobre o mercado de energia, que incluem queda do consumo e maior inadimplência de clientes, têm levado diversas elétricas a reduzir ou reter dividendos. Empresas puramente de transmissão como a Cteep, no entanto, são vistas por analistas como mais resilientes, uma vez que seus contratos de concessão não preveem riscos de demanda.

OBRAS E CAPTAÇÕES

O presidente da ISA Cteep, Rui Chammas, disse que a empresa tem buscado manter o andamento normal das obras de projetos de transmissão em execução, mas relatou dificuldades causadas por medidas de isolamento adotadas contra o coronavírus.

Os empreendimentos em construção pela elétrica, que precisariam ser entregues entre 2021 e 2024, somam cerca de 5 bilhões de reais em investimentos.

“Alguns fornecedores vêm sinalizando dificuldade em manter o ritmo das obras em consequência de quarentenas ou restrições municipais. Hotéis, entrega atrasada de alguns equipamentos... a Cteep tem monitorando a evolução do cenário atual e eventuais ajustes nos cronogramas poderão ocorrer”, afirmou.

O executivo também disse que a companhia está “em situação confortável de liquidez” para enfrentar eventuais impactos da pandemia.

Para reforçar ainda mais o caixa, no entanto, a companhia tem preparado uma captação de cerca de 1,2 bilhão de reais, disse o diretor financeiro.

“A companhia já tem negociações, conversas avançadas com o mercado e não tem percebido riscos de captação, o mercado continua ‘aberto’ e isso para a gente é uma boa perspectiva, um bom sinal”, disse.

Gregori apontou, no entanto, que incertezas associadas ao coronavírus tornaram mais atrativas dívidas com prazos mais curtos, enquanto os ‘spreads’ subiram, embora esse movimento possa ser parcialmente compensado pela queda da taxa Selic.

Por Luciano Costa

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