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Dólar amplia queda contra real após alívio nas tensões entre EUA e China

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda contra o real nesta sexta-feira, pausando o rali que levou a moeda norte-americana a nova máxima recorde na sessão anterior, com os investidores mais inclinados a fazer apostas arriscadas após alívio nas tensões entre Estados Unidos e China.

10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

Nesta sexta-feira, os principais representantes comerciais das duas maiores economias do mundo discutiram a Fase 1 de seu acordo comercial, e o país asiático disse que concorda em melhorar a atmosfera para sua implementação, enquanto os EUA disseram que os dois lados esperam que as obrigações sejam cumpridas.

A notícia acalmava o sentimento dos mercados, principalmente depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, e outras altas autoridades norte-americanas culparam a China pela morte de centenas de milhares de pessoas devido ao surto de coronavírus, e ameaçaram ações punitivas, incluindo possíveis tarifas e o afastamento das cadeias de suprimentos da China.

“O clima amanheceu otimista, com sinalização boa dos EUA e da China”, disse à Reuters Jefferson Laatus, sócio fundador do grupo Laatus. “Os dois países voltaram a se falar, e isso é realmente muito positivo.”

Enquanto isso, os investidores também reagiam a dados impressionantes sobre o emprego nos Estados Unidos. A economia norte-americana perdeu 20,5 milhões de postos de trabalho em abril, sua queda mais acentuada desde a Grande Depressão, enquanto a taxa de desemprego no país ficou em 14,7%.

Apesar de evidenciarem o enorme impacto econômico das medidas de contenção do coronavírus, os dados ainda vieram melhores do que as expectativas dos mercados. Economistas consultados pela Reuters previam fechamento de 22 milhões de vagas fora do setor agrícola e taxa de desemprego de 16%.

“Agora, o payroll deu uma animada. Estamos num cenário em que ‘comemoramos’ dados ruins: só de virem um pouco acima (do esperado), já acalmam as expectativas sobre a economia dos Estados Unidos”, acrescentou Laatus.

Às 10:41, o dólar recuava 0,90%, a 5,7876 reais na venda, enquanto o contrato mais negociado de dólar futuro tinha queda de 0,61%, a 5,8105 reais.

Analistas destacaram a volatilidade da moeda norte-americana nesta sessão. Na máxima do dia, a cotação foi a 5,8294 reais, queda de apenas 0,17%, e, na mínima, foi a 5,7502, queda de mais de 1,5%.

Em nota, Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, disse que “não descartamos durante a presente sessão uma mudança de tendência em função do atual desconforto no nosso mercado local de câmbio, ditado pela combinação entre juros cada vez mais baixos, economia em colapso e persistentes incertezas em nossa seara política”.

O dólar à vista fechou a última sessão em alta de 2,39%, a 5,8399 reais na venda, nova máxima recorde para encerramento, reagindo a corte da taxa Selic ao nível histórico de 3%. No ano de 2020, a moeda já acumula ganhos de mais de 44% contra o real em meio a cenário local desfavorável e cautela contínua no exterior.

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