May 12, 2020 / 8:46 PM / 20 days ago

Brasil vê importação de trigo e consumo recordes em 2020

SÃO PAULO (Reuters) - A importação de trigo pelo Brasil em 2020 deve atingir recorde de 7,3 milhões de toneladas, em meio a uma revisão de dados de moagem do cereal no país realizada pela associação dos moinhos (Abitrigo), que aponta para um consumo histórico do cereal neste ano, disse nesta terça-feira à Reuters um gerente da estatal Conab.

REUTERS/Enrique Marcarian

O Brasil, que está em processo de plantio do cereal em 2020, vem de uma safra em 2019 prejudicada pelo clima em muitas regiões, e o consumo de farinha de trigo e derivados está firme, com as famílias aumentando a demanda em momento de isolamento social para proteção contra o coronavírus, afirmou o gerente de produtos agropecuários da Conab, Thomé Guth.

Essa conjuntura deverá colaborar também para consumo recorde de trigo em 2020 no país, estimado em 12,513 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre as maiores empresas do setor estão Bunge, M. Dis Branco e J. Macêdo.

O país, um dos maiores importadores globais do cereal, ainda realizou importações mensais recordes em abril, com a maior parte vindo da Argentina, disse Guth.

“Foi a maior importação mensal que já tivemos de trigo... E eu entendo que, diante do cenário de isolamento, o consumo de trigo deve ter aumentado... se olhar as famílias dentro de casa, elas partem para esse tipo de alimento, comem mais pão, macarrão...”, disse Guth, que destacou também que os estoques finais neste ano estarão em mínimas históricas, apesar das grandes compras externas.

Dados do governo apontam desembarques 747,8 mil toneladas no mês passado (sendo 700 mil da Argentina), ante 619 mil toneladas no mesmo período de 2019.

Uma revisão dos números de moagem pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) foi repassada à Conab, que assim alterou seus dados no balanço de oferta e demanda divulgado nesta terça-feira.

Segundo o gerente de produtos agropecuários da Conab, com a revisão, a estatal também alterou o dado de importação de trigo pelo Brasil em 2019, para 7,2 milhões de toneladas, ante 7 milhões de toneladas da projeção de abril.

Até o mês passado, a Conab estimava importações neste ano em 7,2 milhões de toneladas —100 mil toneladas a menos que a projeção atual—, mais próximos dos históricos volumes vistos em 2006.

Com as revisões, que remontam dados desde 2018, o consumo de trigo pela indústria no Brasil em 2020 foi estimado em recorde de 12,2 milhões de toneladas, sendo que 300 mil serão destinadas a sementes.

Para 2018, por exemplo, a Conab agora estima consumo de trigo pelos moinhos do Brasil em 12,175 milhões de toneladas, versus 10,7 milhões de toneladas anteriormente previstas para aquele ano.

Procurada, a Abitrigo confirmou as revisões realizadas e encaminhadas à Conab.

ESTOQUES EM MÍNIMAS

A revisão dos dados de moagem impactou os números de estoques das estatísticas de trigo do Brasil, deixando mais evidente que país tem uma baixa relação de estoques/consumo, disse o gerente da Conab.

O estoque final de trigo do país em 2020 foi estimado em apenas 170 mil toneladas, o menor da história, ante 468,5 mil toneladas na previsão de abril.

Neste contexto, as importações brasileiras no primeiro quadrimestre cresceram para 2,58 milhões de toneladas, ante 2,5 milhões no mesmo período de 2019, isso em um período em que o dólar renovou máximas históricas frente ao real, aumentando os custos e elevando os preços do cereal no país.

A Abimapi, associação da indústria de pães, massas e biscoitos do Brasil, havia informado anteriormente à Reuters que estava repassando custos.

As cotações recordes do trigo no Brasil devem, por outro lado, ser um estímulo para o país plantar mais este ano, e há possibilidade de a colheita superar a projeção atual da Conab, de 5,4 milhões de toneladas, se o clima colaborar.

Ainda assim, destacou o gerente da Conab, as projeções de importação devem ser manter elevadas, já que os estoques estão historicamente baixos.

“Pode ter ajuste, se a safra for maior que essa, se for igual a 2016 (de 6,7 milhões de toneladas), a importação não chega a 7,3 milhões, mas se for uma safra normal, 7,3 é o mínimo”, afirmou.

Do total importado pelo Brasil, a Argentina forneceu quase 2,4 milhões de toneladas de janeiro a abril, com Estados Unidos, Paraguai e Uruguai completando as cargas, segundo dados do governo.

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