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Geadas atingem 1/3 do trigo do Paraná suscetível a perdas; RS também sofre

SÃO PAULO (Reuters) - Geadas atingiram no final de semana aproximadamente um terço das áreas de trigo do Paraná em floração ou enchendo grãos, fases em que a cultura é suscetível a perdas, o que deve resultar em quebra de safra no maior produtor brasileiro do cereal, afirmou nesta segunda-feira um especialista do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Estado.

02/06/2015. REUTERS/Eduard Korniyenko

Considerando que mais de 60% das lavouras do Paraná estão em floração ou frutificação, as geadas atingiram até 300 mil hectares de trigo em fases sujeitas a perdas, ponderou o coordenador da Divisão de Estatísticas do Deral, Carlos Hugo Godinho, à Reuters. Ao todo, o cultivo do cereal no Estado se espalhou por 1,13 milhão de hectares em 2020.

“Por aí, até 300 mil (hectares) eu diria, mas levando em consideração que em algumas áreas as geadas foram fracas a ponto de não gerar problema nenhum”, disse Godinho ao ser questionado, explicando que as perdas deverão ficar mais claras no começo da próxima semana.

Em sua mais recente estimativa, divulgada em 30 de julho, o Deral apontou uma previsão de safra de 3,68 milhões de toneladas, alta de 72% em relação à safra anterior e uma das maiores já registradas no Estado.

Mas essa estimativa deve ser frustrada, assim como ocorreu nos últimos anos, devido a perdas pelas geadas.

Segundo Godinho, o norte do Estado foi poupado do evento climático, “o que é um alento”, enquanto o oeste e centro-oeste tiveram o fenômeno com intensidade moderada, mas que deve gerar prejuízos, ainda que localizados.

Ele comentou que o sudoeste deve ser a região mais prejudicada, onde as geadas foram mais intensas e encontraram muitas lavouras em fases suscetíveis. As regiões centro-sul e sul do Paraná, apesar de registros de frio mais intenso, têm poucas áreas sujeitas quebra.

O Paraná responde por cerca de metade da produção de trigo do Brasil, cuja safra caminhava para um recorde e poderia superar 7 milhões de toneladas.

TRIGO GAÚCHO

Áreas de trigo no Rio Grande do Sul, segundo maior produtor do país, também foram afetadas pelas geadas.

A massa de ar polar que avançou sobre o Sul do Brasil também ocasionou geadas em várias regiões produtoras de Santa Catarina e até mesmo no extremo sul de Mato Grosso do Sul e Paraguai, notou o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

“Prejuízos moderados a até de forte intensidade sobre áreas de trigo no Rio Grande do Sul, onde temperaturas ficaram abaixo de zero grau. Muitas lavouras de trigo terão perdas acima de 80% por conta da geada de sábado”, acrescentou Santos em boletim diário, ponderando que ainda é cedo para falar sobre o tamanho das perdas.

Questionada via assessoria de imprensa, a Emater-RS, que cuida da assistência técnica no Estado, informou que as informações ainda estão chegando do campo, mas adiantou que muitas áreas atingidas estavam suscetíveis a perdas.

Paraná e Rio Grande do Sul produzem cerca de 90% do trigo nacional. Dependendo do tamanho da quebra, o Brasil, um importador líquido do cereal, pode ser obrigado a ampliar compras externas.

Segundo a Rural Clima, a massa de ar polar sobre a região Sul do Brasil manterá o tempo aberto, sem previsão de chuvas em praticamente todo o país nesta semana.

Para as próximas duas madrugada, o Simepar ainda prevê geadas fracas em algumas poucas áreas do sul do Paraná.

Por Roberto Samora

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