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Dólar sai das mínimas com exterior e fiscal doméstico no radar

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista tinha leve alta contra o real nesta terça-feira, conforme a divisa norte-americana tomava fôlego contra outras moedas emergentes, enquanto investidores monitoravam o noticiário doméstico e informações vindas do exterior sobre potenciais vacinas para a Covid-19 e o acordo comercial EUA-China.

14/11/2014 REUTERS/Gary Cameron

O dólar à vista tinha variação positiva de 0,11%, a 5,6004 reais na venda, às 13h10. Na B3, o dólar futuro recuava 0,22%, a 5,6010 reais.

Vários analistas ainda citavam a permanência das preocupações sobre a situação fiscal do Brasil, o que pode manter o mercado volátil.

Depois de vários conflitos diplomáticos entre as duas maiores economias do mundo nos últimos meses, autoridades comerciais dos Estados Unidos e da China reafirmaram seu compromisso com a Fase 1 do acordo comercial alcançado no início do ano, tranquilizando investidores de todo o mundo nesta terça-feira.

A promessa foi feita em um telefonema entre o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer; o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin; e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, no primeiro diálogo formal entre eles desde o início de maio.

“As conversas entre Estados Unidos e China sobre o acordo parecem ter sido construtivas, apesar de não trazerem nada de novo, e isso está ajudando a trazer otimismo aos mercados, assim como dados bons da Alemanha”, disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.

Números desta terça-feira mostraram que a economia da Alemanha teve contração econômica menor do que a projetada inicialmente, enquanto segue no caminho de uma recuperação diante da melhora da confiança empresarial.

Além disso, notícias sobre progressos na busca de um tratamento para a Covid-19 --que impulsionaram vários mercados internacionais na véspera-- seguem no radar dos investidores, principalmente depois que o principal órgão regulador de saúde dos EUA permitiu o uso de plasma sanguíneo em pacientes da doença.

No exterior, divisas emergentes tinham variações moderadas ante o dólar, com algumas abandonando máximas de mais cedo. O peso mexicano, por exemplo, rondava estabilidade depois de subir 0,6% nesta sessão.

Enquanto isso, no Brasil, o foco continuava na situação das contas públicas, em meio a temores de que os gastos extraordinários provocados pela pandemia prejudiquem a agenda de austeridade promovida pelo governo de Jair Bolsonaro.

“Preocupações em relação ao fiscal fizeram a moeda (o real) perder força ao longo do dia ontem”, comentou Rostagno. “Internamente, a gente tem expectativa sobre medidas fiscais que o governo deve anunciar em breve desvinculando gastos obrigatórios e também buscando colocar gatilhos pra inibir o crescimento dos gastos”, o que, caso se confirme, pode trazer tranquilidade aos mercados locais, acrescentou.

A expectativa era de que o governo realizasse nesta terça-feira cerimônia para anúncio do Pró-Brasil, plano para a retomada econômica do país no pós-pandemia, mas o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na segunda-feira à Reuters que o governo decidiu adiar o anúncio.

Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário teve queda de 0,22%, a 5,5942 reais na venda, mas ficou longe da mínima da sessão, quando caiu 0,85%.

O BC vendeu todos os 12 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão de rolagem nesta terça-feira.

Na semana passada, a autarquia marcou presença nos mercados de câmbio, inclusive com a venda de moeda à vista, movimento que foi visto como essencial por muitos analistas diante da divergência entre o movimento do real e de seus pares internacionais.

“Devemos continuar com o BC vigilante, já que uma nova rodada de desvalorização do real pode prejudicar a economia e afetar a saúde das empresas, que há tempo convivem com uma moeda volátil e desvalorizada, sem espaço pra repassar esse movimento cambial para os preços, consequentemente afetando a economia mais ampla”, observou Rostagno.

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