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Ata do Fed mostra autoridades divididas quanto a aplicação de nova estrutura de política monetária

(Reuters) - Os membros do comitê do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) que define a taxa de juros se dividiram em setembro sobre como aplicar seus novos princípios dentro do arcabouço da política monetária acertado em agosto, de acordo com a ata da reunião do Fed do mês passado.

Edifício do Federal Reserve em Washington, nos Estados Unidos. 01/05/2020. REUTERS/Kevin Lamarque.

“A maioria das autoridades apoiou a divulgação de um mais explícito forward guidance (orientação futura) baseado em resultados para as taxas de juros” para desenvolver a nova estrutura, disse a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).

No entanto, os participantes das discussões do Fomc também “discutiram uma série de questões associadas ao fornecimento de maior clareza” sobre os planos do Fed, com alguns querendo uma forte promessa de empurrar a inflação a um patamar superior a 2%, vários argumentando que tais promessas pouco ajudaram a economia neste momento e outros endossando outras opções, mostrou o documento do Fed.

O escopo do debate reflete a incerteza que o banco central dos EUA está enfrentando enquanto navega na recessão provocada pela pandemia global do coronavírus.

Algumas autoridades observaram que “em reuniões futuras iria ser apropriado” ser mais específico sobre os planos de novas compras de títulos, que atualmente estão sendo incorporados a um ritmo de 120 bilhões de dólares por mês.

Elas também debateram as incertezas em torno da trajetória para a economia, com uma “maioria” preocupada de que os gastos fiscais federais possam não se mostrar adequados para lidar com a escala dos problemas que o país enfrenta.

No mês passado, o Federal Reserve sinalizou que as taxas de juros provavelmente ficarão em zero até 2023, comprometendo-se a aguardar para elevar os juros até que a inflação chegue ao patamar de 2% e caminhe para avançar moderadamente acima desse nível por um tempo.

O chair do Fed, Jerome Powell, alertou na terça-feira que as perspectivas para a economia norte-americana são “altamente incertas” e que pouco apoio poderia levar a mais falências domésticas e empresariais e a uma “dinâmica recessiva”.

Desde então, os comentários do Fed mostraram uma ampla divisão entre seus membros.

O presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse esperar que a economia norte-americana se recupere quase que na integralidade da recessão do coronavírus até o fim do ano.

Do outro lado do espectro está o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, que alertou que uma segunda onda de Covid-19 no outono e inverno do hemisfério norte poderá atrasar a recuperação e criar uma crise de crédito.

A apenas algumas semanas de 3 de novembro, quando os norte-americanos irão escolher seu próximo presidente, a maneira como a economia irá se desenvolver poderá significar um ambiente político muito diferente para quem quer que ganhe nas urnas.

A decisão de política monetária do Fed de setembro jogou luz sobre dois dissidentes. O presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, achou que ela atou as mãos do Fed desnecessariamente. O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, queria uma régua ainda mais alta para elevações futuras dos juros.

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