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Vendas no varejo nos EUA superam expectativas, mas perspectiva é incerta

WASHINGTON (Reuters) - As vendas no varejo dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em setembro, confirmando um forte trimestre de atividade econômica, embora a recuperação da recessão esteja em uma encruzilhada conforme o auxílio do governo chega ao fim e empresas continuam dispensando trabalhadores.

Pessoas fazem compras em loja de brinquedo no Brooklyn, em Nova York, EUA 13/10/2020 REUTERS/Brendan McDermid

Novos casos de coronavírus também estão disparando em todo o país, o que pode levar a restrições a negócios como restaurantes, academias e bares, além de reduzir os gastos dos consumidores. A economia já está mudando para uma marcha mais lenta. Outros dados desta sexta-feira mostraram uma queda inesperada na produção industrial no mês passado.

“Embora o crescimento das vendas seja forte, ele desacelerará no restante deste ano e no próximo”, disse Gus Faucher, economista-chefe da PNC Financial. “A desaceleração será ainda maior se o Congresso não aprovar outro projeto de estímulo. O desemprego continua generalizado em toda a economia dos EUA.”

As vendas no varejo aumentaram 1,9% no mês passado, com os consumidores comprando veículos e roupas, jantando fora e gastando com seus hobbies. Isso se seguiu a um aumento não revisado de 0,6% em agosto.

Economistas ouvidos pela Reuters previam aumento de 0,7% nas vendas no varejo em setembro. As vendas se recuperaram para acima do nível de fevereiro, com a pandemia aumentando a demanda por bens que complementam a vida em casa, incluindo carros, móveis e eletrônicos. As vendas avançaram 5,4% em uma comparação anual em setembro.

As vendas no varejo correspondem ao componente de bens dentro dos gastos do consumidor, com serviços como saúde, educação, viagens e hospedagem compondo a outra parte.

Excluindo automóveis, gasolina, materiais de construção e serviços alimentícios, as vendas aumentaram 1,4% no mês passado, após uma queda revisada para baixo de 0,3% em agosto. Esse chamado núcleo das vendas no varejo corresponde mais intimamente ao componente de gastos do consumidor no Produto Interno Bruto. A estimativa preliminar era de que elas tinham caído 0,1% em agosto.

Economistas atribuem a força das vendas no varejo ao estímulo fiscal, especialmente a um subsídio semanal que foi pago a dezenas de milhões de norte-americanos desempregados. As robustas vendas no varejo de setembro reforçaram as expectativas de gastos recordes do consumidor e de crescimento econômico no terceiro trimestre.

As estimativas de crescimento para o trimestre de julho a setembro chegam a 35,2% na taxa anualizada. A economia contraiu-se a um ritmo de 31,4% no segundo trimestre, a queda mais profunda desde que o governo começou a manter registros em 1947.

Um relatório separado do Federal Reserve divulgado nesta sexta-feira mostrou que a produção industrial dos Estados Unidos caiu 0,3% no mês passado, após ganho de 1,2% em agosto. A produção permanece 6,4% abaixo do nível pré-pandemia.

Enquanto isso, uma pesquisa da Universidade de Michigan desta sexta-feira mostrou que o sentimento do consumidor saltou no início de outubro em relação a setembro. A Universidade de Michigan observou que “a desaceleração do crescimento do emprego, o ressurgimento das infecções por Covid-19 e a ausência de pagamentos adicionais de ajuda federal fizeram com que os consumidores se preocupassem mais com as atuais condições econômicas”.

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