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Dólar engata queda contra real com estímulo e dados dos EUA no radar

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar engatava queda contra o real nesta quinta-feira depois que dados melhores do que o esperado sobre o mercado de trabalho norte-americano alimentaram o apetite por risco dos mercados, enquanto as negociações de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos continuavam no radar.

Homem mostra notas de dólares em casa de câmbio em Peshawar, Paquistão 03/12/2018 REUTERS/Fayaz Aziz

Às 10:36, o dólar recuava 0,60%, a 5,5825 reais na venda, enquanto o dólar futuro de maior liquidez tinha queda de 0,43%, a 5,587 reais. Mais cedo, a divisa norte-americana à vista havia tocado 5,627 reais na máxima da sessão.

O arrefecimento do dólar ganhou força a partir das 9h30, depois que o Departamento do Trabalho dos EUA informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego no país totalizaram 787 mil na semana passada, número abaixo da previsão de 860 mil em uma pesquisa da Reuters.

Essa leitura vem num momento de grandes dúvidas sobre o futuro da maior economia do mundo, uma vez que a Casa Branca e o Congresso dos EUA seguem sem um acordo para um novo pacote de apoio fiscal, com a proximidade das eleições norte-americanas de 3 de novembro representando um prazo extremamente apertado para as negociações.

Nesta semana, sinais de progresso nas conversas forneceram algum alívio a divisas arriscadas, principalmente com a visão de que uma vitória democrata nas eleições significaria mais auxílio federal.

A presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse nesta quinta-feira que os negociadores estavam fazendo progresso nas conversas em andamento com o governo Trump sobre o pacote e que a legislação poderia ser elaborada “em breve”.

O comentário veio após as negociações terem sofrido um revés na quarta-feira quando Donald Trump acusou os democratas de não estarem dispostos a fazer um acordo aceitável,

“O dólar vem se enfraquecendo globalmente, especialmente nessa última semana, por chances de uma vitória de Joe Biden, um candidato mais fiscal, e isso exige moeda mais depreciada”, disse à Reuters Thomás Gibertoni, especialista da Portofino Multi Family Office.

“Agora é acompanhar se o pacote fiscal vai sair nos Estados Unidos, o que deve enfraquecer o dólar”, acrescentou.

Enquanto isso, no Brasil, os temores sobre a saúde das contas públicas seguem no radar dos investidores, que estão em busca de pistas sobre como o governo financiaria seu projeto de assistência social sem desrespeitar o teto de gastos.

Em meio a esse cenário, o “real fica atrás de outras moedas emergentes”, comentou Gibertoni. “O Brasil não consegue se aproveitar (do apetite por risco) por conta do risco fiscal que ainda está na mesa, e o mercado aguarda definições que provavelmente ficarão para depois das eleições.”

O dólar acumulou queda de cerca de apenas 0,52% contra o real até agora no mês de outubro, enquanto cedeu mais de 5% contra o peso mexicano, um dos principais pares da divisa brasileira.

No ano de 2020, o ganho acumulado da moeda norte-americana contra o real é de quase 40%.

Na sessão anterior, a moeda norte-americana negociada no mercado interbancário teve variação positiva de 0,09%, a 5,6163 reais na venda.

O Banco Central fará nesta quinta-feira leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em abril e julho 2021.

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