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Brasil já vendeu grande parte de seus estoques de açúcar, diz Tereos

20/03/2019. REUTERS/Benoit Tessier

NOVA YORK (Reuters) - A produtora francesa de açúcar Tereos, que tem uma operação importante no Brasil, acredita que grande parte dos estoques historicamente elevados do produto que estão em armazéns brasileiros já foi vendida e será exportada em breve.

O diretor de vendas da unidade Tereos Brasil, Gustavo Segantini, disse em conferência internacional nesta quinta-feira que não há muito açúcar disponível para venda no Brasil no momento, prevendo um mercado interno apertado no país na entressafra, de dezembro a março, e alta nos preços.

O Brasil, maior produtor e exportador de açúcar do mundo, elevou de forma significativa a fabricação do adoçante na atual temporada, já que o mercado de etanol foi muito prejudicado pelas medidas de isolamento social impostas em meio à pandemia de coronavírus.

As usinas do centro-sul do país possuem flexibilidade para ajustar a produção entre açúcar e etanol, dependendo dos preços e demanda. Com a prioridade dada ao açúcar, as usinas caminham para produzir um volume recorde de 38 milhões de toneladas nesta temporada, aumento de 9 milhões de toneladas em relação ao ano anterior.

A consultoria Datagro, organizadora da conferência, estimou os estoques de açúcar do Brasil em 13,8 milhões de toneladas ao final de setembro, 27% a mais do que em igual período de 2019. A maior parte desse volume, entretanto, já está vendida, segundo o diretor da Tereos.

Segantini disse que o mercado de exportação continua muito ativo, com as usinas fechando rapidamente vendas antecipadas para o mercado externo, e que o setor de alimentos e bebidas do Brasil deve se apressar para comprar açúcar, para evitar que fique pressionado pela oferta apertada à medida que a safra chega ao fim.

A grande desvalorização do real frente ao dólar neste ano, que supera os 40%, impulsionou as exportações de commodities. Como resultado disso, o país passou a enfrentar uma escassez de alimentos básicos, como soja e arroz.

A oferta global de açúcar, por outro lado, é vista como equilibrada, já que a pandemia reduziu a demanda pelo produto para consumo fora de casa.

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