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Parte da safra de milho do RS tem quebra por seca, avalia Fecoagro

SÃO PAULO (Reuters) - O Rio Grande de Sul, maior produtor de milho na primeira safra do Brasil, registra perdas irreversíveis nas lavouras do cereal devido à seca, o que adiciona potencial para alta de preços em um mercado que lida com oferta escassa, avaliaram a federação das cooperativas agropecuárias do Estado (Fecoagro) e especialistas.

Plantio de milho (à direita) em Cruz Alta, Rio Grande do Sul; à esquerda, lavoura de soja 27/02/2008 REUTERS/Inaê Riveras

Alguns produtores gaúchos, que por questões climáticas fazem apenas uma safra de milho por ano, diferentemente de outras partes do país que colhem mais na segunda, já acionaram o seguro rural. Outros agricultores do Estado estão ponderando plantar soja em terras nas quais o milho não se desenvolveu.

“É difícil estimar (as perdas), mas acredito que tem produtores no Rio Grande do Sul que já acionaram o seguro, aqueles que já têm danos irreversíveis. E tem produtores não financiados pensando em tirar o milho e plantar soja”, disse à Reuters o presidente da Fecoagro, Paulo Pires.

“O produtor vai aproveitar os preços da soja, o produtor é muito dinâmico, ele vira a página muito rápido”, disse ele, em referência às cotações da oleaginosa, que assim com as do milho, estão em patamares recordes.

O Rio Grande do Sul tem safra de milho estimada pelo governo em 5,7 milhões de toneladas em 2020/21, ou pouco mais de 20% da produção total no verão --volume que não considera perdas pela seca.

O preço do milho bateu um recorde histórico no Brasil esta semana, com a cotação atingindo 82,67 reais por saca de 60 kg nesta quarta-feira. Os valores apagaram máxima anterior de 2007, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Na última terça-feira, a soja marcou 166,57 reais/saca, nova máxima, segundo o indicador do Cepea.

A firmeza nas cotações já havia levado o governo a reduzir as tarifas para importações de soja e milho de fora do Mercosul, mas questões sobre variedades transgênicas não aprovadas trazem preocupações sobre eventuais negócios, segundo especialistas.

O analista da Safras & Mercados Paulo Molinari disse que as importações ainda estão limitadas a países ao Mercosul, especialmente Paraguai, e o mercado deve ficar sustentado até meados de 2021, quando acontecerá a colheita da segunda safra brasileira.

“A primeira safra de milho não atende todo o mercado, ainda mais se a região Sul tiver quebra. Continua tendo problema no Rio Grande do Sul”, afirmou ele à Reuters.

Nesta sexta-feira, separadamente, a Safras & Mercado revisou seus números de produção total do país, elevando a projeção para um recorde de 116,427 milhões de toneladas do cereal, que considera uma área maior na segunda safra, já que reduziu a estimativa da colheita de verão, devido à seca.

Pires, da Fecoagro, concordou que não há sinalização para uma redução do preços das commodities agrícolas.

“Estão em desespero por milho, nunca vi indústrias tão preocupadas com o suprimento da matéria-prima, e os produtores com milho plantado com pivô (irrigação) vão ter bons resultados”, acrescentou o presidente da federação.

PREVISÃO

Após pancadas de chuvas isoladas no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina esperadas para sábado, o tempo deve voltar a ficar firme em toda a metade sul do país na próxima semana, dificultando os trabalhos de plantio de soja e milho, sem alívio para as condições do cereal, disse nesta sexta-feira o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos.

“A primeira semana de novembro vai ser exatamente assim, chuvas apenas no Matopiba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) e norte de Goiás e Minas Gerais”, disse.

Segundo ele, somente no final da próxima semana as chuvas retornarão ainda de forma irregular sobre boa parte do Brasil, o que poderia colaborar para estancar perdas no milho primeira safra, especialmente no Rio Grande do Sul.

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