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Indústria do Brasil cresce em setembro pelo 5º mês e recupera perdas da pandemia

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira engatou o quinto mês seguido de aumento da produção em setembro, recuperando por fim as perdas acumuladas no ápice das medidas de contenção ao coronavírus.

Produção de álcool em gel em fábrica de Vinhedo, em São Paulo 25/03/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

Em setembro, a produção industrial marcou alta de 2,6% na comparação com o mês anterior, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 2,2% e garantiu que o setor finalmente eliminasse a perda de 27,1% de março e abril, quando a produção industrial caiu ao nível mais baixo da série, mostrando que o impacto das medidas de isolamento foi relevante para o setor.

Além disso, em setembro a atividade industrial ficou 0,2% acima do patamar de fevereiro, período pré-pandemia, de acordo com o IBGE.

“Passados os meses de março e abril e com a flexibilização das medidas de distanciamento social, o setor industrial foi recuperando, mês a mês, aquele patamar”, disse o gerente da pesquisa, André Macedo.

“O patamar de agora da indústria é o maior desde 2018, mas é importante destacar que a indústria está 15,9% abaixo do pico. Ainda há muito de perdas do passado para a indústria zerar daqui para frente”, completou.

Em relação a setembro do ano passado a indústria registrou aumento de 3,4% da produção, também acima da expectativa de avanço de 2,2% e interrompendo dez meses de resultados negativos.

No terceiro trimestre a indústria mostrou recuperação ao terminar com expansão de 22,3% sobre os três meses anteriores, após queda de 17,5% no segundo trimestre. Entretanto, a produção acumulada nos nove primeiros meses deste ano, entretanto, ainda apresenta perdas de 7,2%.

Além das paralisações provocadas pela pandemia, o grande contingente de desempregados também afeta a economia como um todo, o que ajuda a limitar a expansão da indústria.

“A recuperação da indústria de agora tem a ver com medidas de governo como auxílio emergencial, liberação de FGTS, de proteção a empregos, juros mais baixos. Mas o gargalo importante segue sendo o mercado de trabalho, assim como o mercado externo que tem demandado menos e prejudicando mesmo com câmbio favorável”, completou Macedo.

AUTOMÓVEIS

Entre as categorias econômicas, o destaque em setembro foi o aumento de 10,7% na fabricação de Bens de Consumo Duráveis, acumulando em cinco meses avanço de 520,3%. Ainda assim, o segmento ainda está 2,8% abaixo do patamar pré-pandemia.

Bens de Capital, uma medida de investimento, Bens Intermediários e Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis também apresentaram desempenhos positivos, com altas respectivamente de 7,0%, 1,3% e 3,7% na comparação com o mês anterior.

Já as atividades pesquisadas mostraram que a maior influência positiva partiu do aumento de 14,1% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, diante da continuidade do retorno à produção após a paralisação decorrente da pandemia.

O setor acumulou expansão de 1.042,6% em cinco meses consecutivos, mas ainda assim se encontra 12,8% abaixo do patamar de fevereiro último.

Por outro lado, quatro atividades reduziram sua produção em setembro: indústrias extrativas (-3,7%), impressão e reprodução de gravações (-4,0%), produtos diversos (-1,3%) e outros produtos químicos (-0,3%).

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