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Dólar cede ante real acompanhando exterior em meio a vantagem de Biden

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar engatava seu segundo dia consecutivo de fortes perdas ante o real nesta quinta-feira, chegando a cair mais de 2% na mínima do pregão, seguindo o comportamento da moeda no exterior à medida que os investidores acompanhavam de perto a evolução da contagem de votos das eleições norte-americanas, com o democrata Joe Biden se aproximando da vitória.

REUTERS/Marcos Brindicci

Às 14:44, o dólar recuava 1,51%, a 5,5715 reais na venda. Na mínima do dia, a moeda dos Estados Unidos caiu 2,05%, a 5,5413 reais na venda, seu menor patamar intradiário desde 14 de outubro.

O dólar futuro negociado na B3 tinha queda de 1,42%, a 5,576 reais.

Na eleição norte-americana mais contestada dos últimos tempos, Biden se aproximava da vitória, enquanto autoridades apuravam os votos em alguns Estados que determinarão o resultado do pleito.

O atual presidente, Donald Trump, que tenta a reeleição, alegou fraude sem apresentar evidências, entrou com processos na Justiça e pediu recontagens de votos em uma disputa que ainda não tem resultado dois dias depois de ser realizada.

Em nota, Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, destacou a desvalorização do dólar nos mercados internacionais, contra moedas tanto de países ricos como de emergentes, dizendo que “o ambiente positivo faz com que os investidores busquem risco”.

O índice da moeda norte-americana contra seis pares fortes caía cerca de 0,6%, enquanto o dólar cedia terreno contra peso mexicano, rand sul-africano e a divisa australiana.

O time econômico da Guide Investimentos escreveu que “por mais que ainda exista uma quantidade extensa de votos a serem apurados, o mercado já passa a apostar no cenário mais provável: uma vitória de Biden acompanhada pela manutenção da maioria na Casa dos Representantes pelos democratas, enquanto os republicanos seguirão controlando o Senado”.

Embora uma eleição contestada com vitória de um presidente que não contará com maioria no Senado já tenha sido apontada como um cenário menos favorável ao mercado financeiro, “caso o cenário acima se concretize, cresce a avaliação de que a manutenção da maioria republicana no Senado impedirá a reversão completa dos estímulos implementados por Donald Trump no âmbito tributário,(...) além de outras mudanças mais drásticas”, completaram os analistas.

Além disso, há entre os investidores uma forte percepção de que as políticas de Biden colaborariam para um dólar globalmente mais fraco, principalmente com a expectativa de aprovação de novas medidas de auxílio fiscal na maior economia do mundo, o que pode dar apoio a divisas emergentes.

Nesta sessão, também ficava no radar dos investidores a reunião de política monetária do Federal Reserve, que será anunciada nesta quinta-feira, às 16h. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do banco central norte-americano deve se manter bem perto de seu último comunicado e repetir a promessa de fazer o possível para ajudar a economia na recessão provocada pelo coronavírus.

Por aqui, ficava em segundo plano a notícia de que o Senado seguiu a Câmara dos Deputados e rejeitou na quarta-feira o veto presidencial que impedia a prorrogação da desoneração da folha de pagamento a mais de 17 setores da economia. Segundo fonte do time econômico a rejeição significará um impacto não previsto de 4,9 bilhões de reais, a ser acomodado no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021 para que o Congresso corte despesas discricionárias no mesmo montante para devida compensação.

“Ofuscada pela eleição americana, a derrubada do veto é negativa para a economia e demonstra a enorme dificuldade que o País tem de ser austero”, disseram analistas da Levante Investimentos em nota a clientes.

Temores sobre a saúde das contas públicas têm estado sob os holofotes dos mercados brasileiros há alguns meses, principalmente em meio a dúvidas sobre como o governo financiaria os gastos provocados pela pandemia de coronavírus sem furar o teto de gastos.

Esse cenário, somado ao patamar extremamente baixo da taxa Selic, deixa o dólar em alta de mais de 40% contra o real em 2020.

Na véspera, o dólar spot registrou queda de 1,80%, a 5,657 reais, sua maior desvalorização diária desde 28 de agosto (-2,927%).

O Banco Central fez nesta quinta-feira leilão de swap tradicional em que vendeu 12 mil contratos para rolagem com vencimento em abril e agosto de 2021.

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