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Se segunda onda de Covid chegar, gasto do governo será metade do que foi em 2020, estima Guedes

BRASÍLIA (Reuters) - Caso uma segunda onda de Covid-19 atinja o país, a perspectiva é gastar metade do que foi empregado no enfrentamento ao surto em 2020, disse nesta terça-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, justificando que agora há experiência para limar os excessos.

Pessoas fazem fila para tentar receber auxílio emergencial no Rio de Janeiro 29/05/2019 REUTERS/Ricardo Moraes

“Se uma segunda onda vier para o Brasil já temos os mecanismos. Digitalizamos 64 milhões de brasileiros. Então sabemos quem eles são, onde estão, o que precisam para sobreviver”, disse o ministro, ao participar de fórum virtual promovido pela Bloomberg.

Segundo Guedes, no caso de uma segunda onda o governo voltará a prover assistência, mas a valores menores. “Em vez de 8% do PIB, provavelmente desta vez metade disso porque sabemos que podemos filtrar agora os excessos aqui e ali. E certamente usaríamos valores menores”, afirmou.

Em apresentação recente, o Ministério da Economia estimou que as medidas de combate ao coronavírus chegarão a 8,6% do PIB neste ano. Só com o auxílio emergencial --a maior delas-- os gastos serão de 321,8 bilhões de reais, contemplando pagamentos mensais de 600 reais aos beneficiários entre abril e agosto, e de 300 reais de setembro até o fim do ano.

“Quem pode pegar emprestado 8% (do PIB) a mais pode pegar 12%. Então poderíamos gastar um pouco mais, justamente porque as pessoas entendem que temos a resolução de voltar à situação anterior assim que a doença nos deixar”, disse o ministro.

“Portanto, estamos prontos para avançar caso a doença volte, mas não vamos nos mover se ela for embora. As pessoas entendem isso.”

Guedes tem defendido a inserção, na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo, de emenda que abra caminho para um orçamento de guerra em caso de nova emergência, a exemplo do que aconteceu neste ano por causa da pandemia de coronavírus.

A emenda constitucional do orçamento de guerra desobrigou o governo de cumprir uma série de regras fiscais, incluindo a meta de resultado primário, também permitindo que os gastos extraordinários, como os ligados à concessão do auxílio emergencial, não precisassem obedecer ao teto de gastos.

Em sua participação no fórum desta manhã, o ministro voltou a frisar que a avaliação hoje é de que não será necessário seguir com o auxílio, já que a percepção corrente é que a doença está retrocedendo e a economia está voltando “fortemente”.

Essa retomada, reiterou ele, está ocorrendo num formato de V puro, e não num “V da Nike”, como ele chegou a aventar anteriormente.

Apesar dos vultosos gastos públicos, o ministro disse ainda que o governo está rolando a dívida “sem problemas”.

“Acho que não teremos problema à frente”, acrescentou.

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