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Cemig estuda energia eólica e solar enquanto traça novo plano estratégico

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Cemig, controlada pelo governo de Minas Gerais, tem estudado oportunidades de expansão em energia eólica e solar enquanto prepara uma revisão de seu planejamento estratégico, disseram executivos nesta segunda-feira.

Logo da Cemig. REUTERS/Amanda Perobelli

Em paralelo, a companhia mantém planos de vender sua fatia remanescente na Light e não espera mudança no curto prazo em sua política de dividendos, que prevê distribuir até 50% do lucro, afirmaram representantes da empresa durante teleconferência com analistas e investidores sobre resultados.

A Cemig tem avaliado no momento nove projetos eólicos, que somam 2,13 gigawatts em potência instalada, após ter aberto em setembro uma chamada pública para a aquisição de novos empreendimentos (“greenfield”) da fonte.

Enquanto isso, a unidade de geração e transmissão da estatal, Cemig GT, ainda tem desenvolvido uma carteira própria de projetos solares com 1,75 gigawatt-pico em capacidade.

“São projetos que a gente entende que muitos deles são rentáveis, que geram muito valor para a companhia. De forma segura, conservadora, sempre pensando em agregação de valor de forma responsável, a companhia vai estar analisando esses projetos no curto, médio e longo prazo”, disse o chefe de Finanças e Relações com Investidores, Leonardo Magalhães.

Ele acrescentou que a Cemig está revisando o planejamento estratégico, mas não deu prazo para conclusão desse trabalho.

“O objetivo é analisar oportunidades e desafios para a Cemig, considerando energias renováveis, o ambiente do setor elétrico brasileiro e mundial para os próximos anos e como a companhia tem que se preparar para esse ambiente competitivo.”

O movimento vem após mudança na gestão da estatal mineira em janeiro, quando o economista Reynaldo Passanezi Filho foi nomeado como novo CEO em substituição a Cledorvino Belini.

A estatal investiu 1,2 bilhão de reais entre janeiro e setembro, de um total programado para 2020 de 1,8 bilhão de reais. Os negócios em distribuição receberam 960 milhões.

A Cemig registrou lucro líquido de 545,4 milhões de reais no terceiro trimestre, ao reverter prejuízo de 282 milhões no mesmo período do ano anterior.

DIVIDENDOS, HIDRELÉTRICAS

Durante a teleconferência, o superintendente de Relações com Investidores da Cemig, Antonio Velez, disse que a empresa não tem planos de alterar no curto prazo sua política de dividendos.

“Nosso objetivo ainda neste momento é manter nossa política de 50% (do lucro) em dividendos, entendemos que essa política está equilibrada, nos dá condições de ter um colchão de liquidez”, explicou, após pergunta de um investidor.

A criação de uma reserva financeira é vista como necessária até porque a Cemig enfrentará nos próximos anos o vencimento das concessões de algumas de suas hidrelétricas, acrescentou Velez.

Pela legislação do setor elétrico, hidrelétricas têm a concessão relicitada pelo governo federal ao final dos contratos de concessão e ficam com a empresa que vencer um leilão e pagar um bônus de outorga aos cofres públicos.

Como alternativa a isso, estatais que operam essas usinas podem optar por renovar os contratos mediante compromisso de privatização, com venda de ao menos 51% dos ativos, mas isso também exige pagamento de outorga.

Por outro lado, o diretor de Finanças da Cemig apontou que a empresa espera ser beneficiada com a renovação de contratos de algumas de suas hidrelétricas após o Congresso ter aprovado neste ano um acordo com empresas do setor sobre débitos passados com o chamado “risco hidrológico”.

Por esse acerto, que se tornou possível após alterações legislativas, empresas que questionavam na Justiça custos associados ao risco hídrico na operação de usinas hídricas terão parte dos valores em disputa compensados por meio de prorrogações contratuais.

“A expectativa é muito favorável, é de extensão do prazo médio (das concessões) em dois a três anos. Das usinas não só da Cemig, mas de nossas investidas, como a Aliança e outras empresas em que temos participação. A extensão dessas concessões se traduz em maior valor para nossa companhia”, afirmou ele.

O executivo, que se referia à Aliança Geração, uma joint venture com a mineradora Vale, não citou números ou eventuais impactos dessa renovação de concessões sobre o balanço da Cemig ou empresas ligadas ao grupo.

Por Luciano Costa

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