6 de Outubro de 2014 / às 13:02 / 3 anos atrás

Dólar cai 2%, chega a R$2,37, com reação de Aécio na disputa eleitoral

Notas de 100 dólares expostas em um banco de Westminster, no Estado norte-americano do Colorado. 03/11/2009Rick Wilking

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caía 2 por cento ante o real nesta segunda-feira, chegando ao patamar de 2,37 reais na mínima do dia, após o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, garantir uma vaga no segundo turno das eleições com surpreendente arrancada final, aproximando-se da atual presidente Dilma Rousseff (PT) como nunca na campanha.

Operadores diziam, no entanto, que esse movimento não deve se sustentar nas próximas semanas, uma vez que a disputa no segundo turno deve ser acirrada e manter o mercado volátil.

Às 12h11, a moeda norte-americana BRBY recuava 2,08 por cento, a 2,4107 reais na venda, após alcançar 2,3782 reais na mínima da sessão, com queda de 3,40 por cento. O contrato futuro do dólar para novembro DOLc1 caía 1,94 por cento, a 2,4290 reais.

O dólar, no entanto, afastou-se das mínimas do dia no fim da manhã, num movimento de correção técnica.

"O mercado está eufórico com a possibilidade de um segundo turno mais disputado", disse mais cedo o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Aécio ficou com 33,6 por cento dos votos válidos, o equivalente a 34,9 milhões, enquanto Dilma marcou 41,6 por cento, ou quase 43,3 milhões de votos. O desempenho do tucano veio bem acima do indicado nas pesquisas de intenção de voto, surpreendendo investidores. [nL2N0S0173]

Dilma é alvo de fortes críticas no mercado financeiro, que prefere a política econômica mais ortodoxa prometida por Aécio.

Analistas acreditam que o mercado deverá continuar volátil até o segundo turno, no próximo dia 26, operando com base no noticiário político e nas pesquisas. Mas a médio prazo, preveem pressão de alta do dólar devido à perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos. [nL2N0S10KR]

"O dólar deve ter um movimento instantâneo de queda", afirmou o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. "A queda não deve levar a moeda ao patamar inferior a 2,30 reais, nem o PSDB quer isso", acrescentou.

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, como parte das atuações diárias. Foram vendidos 2 mil contratos para 1º de junho e 2 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a 197,7 milhões de dólares.

O BC também vendeu nesta sessão a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 18 por cento do lote total, equivalente a 8,84 bilhões de dólares. [nE6N0RO01M]

Nesta sessão, segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 200 milhões de dólares no mercado à vista, baixo para o horário.

Segundo operadores, os investidores preferiam concentrar as transações no mercado futuro, onde podem ser mais alavancadas. Cerca de 307 mil contratos futuros de dólar para novembro haviam sido negociados até o fim desta manhã, próximo da média diária dos útimos 30 pregões em um pregão todo.

Reportagem adicional de Flavia Bohone; Edição de Patrícia Duarte

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