16 de Outubro de 2014 / às 20:38 / em 3 anos

Atraso no plantio de soja freia negócios e deve limitar oferta no país em janeiro

SÃO PAULO (Reuters) - A falta de chuvas no Centro-Oeste, que paralisou o plantio de soja nos últimos dias e que tende a adiar também o início da colheita, interrompeu as negociações do grão para entrega no mês de janeiro, tipicamente um período de grande demanda.

Nos últimos anos, muitos produtores vêm aumentando o uso de sementes de soja precoce, plantadas nos primeiros momentos da temporada, de olho na comercialização do produto ainda em janeiro, antes da entrada da grande oferta de fevereiro e março pressionar sazonalmente os preços.

O Estado de Mato Grosso, por exemplo, terminou janeiro deste ano --na largada da colheita 2013/14-- com 10,6 por cento das lavouras colhidas. No entanto, especialistas dizem que a situação não deverá se repetir em janeiro de 2015.

Em diversas regiões do Centro-Oeste não chove de maneira consistente desde o início de outubro. A previsão do tempo indica que apenas a partir do dia 21 precipitações firmes vão chegar ao Brasil central, permitindo a retomada do plantio.

A Aprosoja, associação que reúne sojicultores de Mato Grosso, disse na quarta-feira que o plantio no Estado está paralisado, o que irá reduzir a janela ideal de clima para o desenvolvimento da cultura e postergar a colheita, com riscos para o potencial da safra.

“A maior preocupação é do mercado, no momento. Praticamente não vai ter soja em janeiro”, ressaltou a analista da consultoria AgRural Daniele Siqueira.

Segundo ela, este é um dos fatores --junto com uma elevação dos preços na bolsa de Chicago nos últimos dias-- para a alta registrada nos preços ofertados pelas indústrias desde o início do mês.

Na região de Sorriso (MT), compradores ofereceram na quarta-feira 17 dólares por saca de soja com entrega em fevereiro, contra 16 dólares oferecidos em 1º de outubro, segundo levantamento da AgRural. Não há medição de preços específica para negócios com entrega em janeiro.

Apesar da elevação dos preços, o fechamento de contratos tem sido muito pequeno, dizem analistas e agentes do mercado.

“A realização de negócio (para entrega em janeiro) é extremamente rara. O pessoal não tem feito nenhuma operação, porque não tem visto possibilidade de garantia de entrega. Quebra de contrato acarreta multa”, destacou o analista Aedson Pereira, da Informa Economics FNP.

CAUTELA E ESPERANÇA

O operador Gilmar Meneghetti, da corretora Diversa, de Rondonópolis (MT), conta que muitos produtores rurais têm opções de venda em aberto, mas pedem cautela na hora de concretizar os negócios.

“Antes de fechar, me dá uma ligadinha”, é o que muitos dizem, segundo Meneghetti. “O produtor não quer travar nenhum negócio, sem garantia de que vai conseguir colher em janeiro.”

Muitos agricultores têm evitado fechar negócios também na esperança de conseguir preços melhores que os atuais.

A soja no mercado internacional oscilou recentemente nos menores patamares em mais de quatro anos, devido a uma expectativa de safras recordes nos Estados Unidos e no Brasil.

Em termos gerais, a comercialização antecipada da soja está bem mais lenta este ano no Centro-Oeste. Atualmente, cerca de 10 por cento da nova safra foi negociada, contra índice de 25 a 30 pro cento no mesmo período do ano passado, segundo levantamento da FNP.

O analista Juliano Cunha, da consultoria Céleres, ressaltou que o mês de janeiro irá chegar com baixíssima disponibilidade de soja em Mato Grosso, onde atualmente 97 por cento da safra colhida em 2014 já foi negociada.

“O mercado vai vir sedento por essa primeira soja, nessa primeira colheita. Para quem tiver produto, o preço vai ter um ganho maior”, disse Cunha.

Um bom exemplo do interesse da indústria brasileira pela soja de janeiro foi dado este ano, quando a Abiove, associação que representa grandes empresas do setor, alterou a formulação de seus relatórios. O ano comercial passou a ser contado a partir do primeiro mês do ano, e não mais fevereiro.

Segundo a Abiove, a aquisição de soja em grãos pelas indústrias brasileiras em janeiro deste ano chegou a 2,27 milhões de toneladas, mais do que o Estado do Tocantins colheu em toda a temporada 2013/14.

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