16 de Outubro de 2014 / às 21:58 / em 3 anos

Saída de estrangeiros da Bovespa antecipa efeito de aversão a risco global

SÃO PAULO (Reuters) - A queda de 6 por cento da Bovespa nos últimos dois pregões não surpreende quem monitora atentamente o movimento de estrangeiros na bolsa paulista, que já estava alinhado ao aumento da aversão a risco global por preocupações com o crescimento mundial, com a cena eleitoral brasileira aparecendo em segundo plano.

“Há cerca de duas semanas (investidores ao redor do mundo) começaram a questionar a dinâmica de crescimento global”, observou o chefe da área de renda variável para América Latina do BNP Paribas Asset Management Brasil, Frederico Tralli.

“Foi suficiente para que realizassem lucros e reduzissem exposição. E quando grande parte dos investidores resolve fazer isso ao mesmo tempo, acontece um movimento acentuado de queda nas bolsas”, resumiu Tralli, lembrando que as bolsas no exterior vinham de fortes ganhos apesar da recuperação econômica lenta.

Em Wall Street, o S&P 500 alcançou em 19 de setembro cotação recorde, de 2.011 pontos, com valorização acumulada no ano superior a 9 por cento.

A mudança de humor no exterior teve início com dados mais fracos sobre crescimento na Europa, seguidos por números também um pouco animadores nos Estados Unidos, enquanto na China segue o cenário ainda desafiador para se confirmar o crescimento de 7,5 por cento estimado pelo governo. Além disso, na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua projeção para o crescimento econômico global pela terceira vez no ano e reforçou o tom negativo.

A tal quadro somou-se a percepção de que os bancos centrais podem não atuar de forma tão agressiva, que veio ganhando força após comentários do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na primeira semana de outubro.

“Os investidores, nesses momentos, vendem o que têm e o que podem. O Brasil ainda é um país emergente relevante e líquido. Assim, acaba sendo profundamente afetado por este ambiente global”, destacou o gestor de um fundo, minimizando algum efeito das eleições presidenciais deste mês na saída dos estrangeiros.

Após alguma entrada nos dois primeiros dias de outubro, dados da BM&FBovespa mostraram uma saída líquida de 3,5 bilhões de reais de capital externo em sete dias consecutivos a partir de 3 de outubro, um dia após os comentários de Draghi. Apenas no dia 14, a bolsa voltou a apurar ingresso líquido. Em setembro, a Bovespa havia acumulado saldo positivo de 4,22 bilhões de reais em capital externo, com saídas em apenas 4 de 22 pregões.

O mesmo movimento de redução de exposição a Brasil foi visto no segmento futuro, onde a posição dos estrangeiros em contratos de Ibovespa passou de 73.342 contratos no dia 2 de outubro para 54.205 em 13 de outubro. No último dado disponível, de 15 de outubro, essa valor já estava em 45.257 contratos.

“A eleição está ‘embolada’, mas Aécio Neves (PSDB) vem mantendo uma vantagem numérica nas pesquisas. Não seria motivo para explicar todo este movimento de posições e preços dos últimos dias”, reforçou o gestor, que preferiu não ter o nome citado.

Dados de fundos dedicados a países emergentes compilados pelo BNP Paribas corroboram a percepção de que se trata de um movimento global, não focado em Brasil: na semana de 2 a 8 de outubro, saíram de 3,2 bilhões de dólares desses fundos - a maior saída semanal desde março, segundo Tralli.

Mas se o cenário político nacional pouco determinou o movimento no fluxo na primeira quinzena de outubro, pode ser determinante a partir do resultado da eleição no próximo dia 26 o entendimento de que o pleito é um evento binário também no que diz respeito ao comportamento dos estrangeiros.

“Como não tem nada definido, esse investidor não vai se antecipar, mas vai reagir ao resultado...e o diferencial será como a política econômica será conduzida”, destacou o executivo do BNP Paribas.

Segundo ele, uma política crível, em que se consegue fazer os ajustes necessários e recuperar a confiança de empresários e investidores, pode estimular novas entradas, mas se não houver nenhuma grande sinalização de mudança uma parcela que entrou pode decidir sair.

Nesta quinta-feira, a Fitch destacou que a estratégia do próximo governo para incentivar o crescimento e enfrentar alguns desequilíbrios macroeconômicos, como inflação elevada e altos déficits fiscal e de conta corrente, será fundamental para a trajetória do rating soberano do país.

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