21 de Outubro de 2014 / às 21:35 / em 3 anos

Preço do boi gordo atinge recorde em SP e aperta margem de frigoríficos

SÃO PAULO (Reuters) - O preço do boi gordo negociado no Estado de São Paulo atingiu nesta terça-feira 135,20 reais/arroba em média, o maior valor real da série do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) iniciada em 1994, pressionando as margens de lucro dos frigoríficos no país, o maior exportador de carne bovina do mundo.

“Os aumentos de preços são resultado da menor oferta, devido principalmente à seca, que vem prejudicando as condições das pastagens e, consequentemente, a engorda dos animais ao longo do ano”, disse o Cepea em nota.

O indicador Esalq/BM&FBovespa, que apura os preços à vista e serve de referência para o mercado, tem quebrado recordes nominais (sem considerar a inflação) frequentemente nas últimas semanas, mas o valor registrado nesta terça-feira é o maior deflacionado.

Até então, o recorde real do indicador havia sido verificado em novembro de 2010, de 134,94 reais/arroba.

A carne bovina (carcaça casada, com osso) negociada no atacado da Grande São Paulo também está valorizada, embora o consumo interno mais lento esteja resultando em repasses de preços proporcionalmente menores que os aumentos da cotação da arroba, segundo especialistas.

O preço médio desta terça-feira, de 8,21 reais/kg, só está abaixo da média verificada em novembro de 2010, de 8,60 reais/kg (recorde real), afirmou o Cepea.

MARGENS MENORES

Com a alta da arroba e a dificuldade de repassar os custos recordes, a margem de lucro dos frigoríficos caiu para 10,1 por cento, ao menor nível desde março de 2011, apontou nesta terça-feira relatório da Scot Consultoria.

O indicador Equivalente Scot Carcaça --que considera a diferença entre a receita obtida pelo frigorífico com a venda de carne com osso, couro, sebo, miúdos, subprodutos e derivados, em relação ao preço pago pela arroba-- caiu dez pontos percentuais ante o nível registrado em agosto, disse a Scot.

A média histórica do indicador, levantado desde 2007, é de 15,8 por cento.

Segundo a Scot, a cotação do boi gordo subiu 16,5 por cento desde o início do ano, com a seca afetando a recuperação das pastagens e consequentemente a engorda dos animais criados em pasto --o sistema de produção predominante no Brasil.

“Boa parte desta valorização ocorreu de agosto para cá, com a retração expressiva da oferta de boiadas de pasto”, afirmou a Scot.

De acordo com a consultoria, “há dificuldade na aquisição de bovinos e este cenário tem guiado mais os preços do boi gordo do que o consumo de carne bovina”.

A Scot ressaltou que o brasileiro está consumindo menos carne em função da alta de preços do produto.

E, com isso, de agosto para cá o mercado atacadista “tem patinado”, com os frigoríficos conseguindo repassar apenas 1,6 por cento de alta.

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