2 de Dezembro de 2014 / às 09:50 / em 3 anos

Vale considera listagem de parte de seu negócio global de metais básicos, dizem fontes

VANCOUVER/TORONTO (Reuters) - A Vale está considerando listar parte de seu negócio global de metais básicos, disseram duas fontes com conhecimento do assunto, conforme a mineradora busca financiar projetos importantes em meio ao colapso dos preços do minério de ferro.

Vista parcial de um edifício da companhia de mineração Vale, no centro do Rio de Janeiro. 20/08/2014. REUTERS/Pilar Olivares

As fontes, que pediram para não ser identificadas pois não estavam autorizadas a discutir o assunto publicamente, afirmaram que a maior produtora de minério de ferro do mundo deve reter uma participação majoritária na nova entidade se prosseguir com o plano.

A Vale poderá revelar o plano de listar a nova entidade em Toronto e em Londres nesta terça-feira, durante evento para investidores em Nova York, disse uma das fontes.

O evento na Bolsa de Valores de Nova York será transmitido via webcast.

A segunda fonte disse que houve significativa discussão dentro da Vale sobre uma listagem dos ativos de metais básicos, que têm se saído melhor do que o negócio de minério de ferro devido aos preços mais estáveis.

Uma porta-voz da Vale no Brasil não pôde ser imediatamente encontrada para comentar o assunto fora do horário comercial.

O negócio de minério de ferro da Vale respondeu por 62 por cento da receita bruta da empresa no terceiro trimestre. O portfólio global de ativos da Vale também inclui ativos de níquel no Canadá, Indonésia e Nova Caledônia, minas de carvão na Austrália e Moçambique, bem como projetos de cobre no Canadá, Brasil e Zâmbia.

Os preços do minério de ferro caíram pela metade este ano para mínimas em cinco anos, abaixo de 70 dólares a tonelada, à medida que mineradoras de peso como Vale, Rio Tinto e BHP Billiton elevaram a produção em um momento em que a demanda da China, principal cliente do insumo utilizado em produtos siderúrgicos, diminuiu.

O UBS estima que a Vale arca com um custo de 67 dólares para produzir uma tonelada de minério de ferro e enviá-la para a China, o que deixa a empresa em situação apertada conforme busca completar seu projeto brasileiro de minério de ferro de 20 bilhões de dólares conhecido como S11D.

A Vale já afirmou que espera reduzir investimentos em 2015 para abaixo dos 12,5 bilhões de dólares originalmente antecipados. Mas com o S11D sendo vital para a estratégia da Vale de proteger sua participação no mercado de minério de ferro e reduzir os custos de produção, a companhia tem pouco espaço de manobra e está sofrendo pressão em relação ao investimento no negócio, o maior projeto de minério de ferro do mundo.

Outros membros da indústria, que trabalharam de perto com a Vale no passado, mas não estão a par de qualquer anúncio, disseram que a venda de uma participação minoritária faria sentido no ambiente atual e permitiria que a mineradora levantasse recursos.

O analista do JPMorgan Rodolfo Angele disse em nota a clientes na segunda-feira que investidores provavelmente vão buscar no evento realizado nesta terça-feira atualizações sobre os planos de alienação de ativos de carvão da Vale em Moçambique, bem como detalhes sobre outras vendas de ativos e um potencial IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) da divisão de metais básicos.

“Notamos que a falta de detalhes sobre qualquer uma destas medidas deverá decepcionar o mercado, mas uma ação mais definitiva deverá ser vista de forma positiva”, disse Angele.

Reportagem adicional de Stephen Eisenhammer no Rio de Janeiro

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