2 de Dezembro de 2014 / às 12:08 / 3 anos atrás

Indústria brasileira fica estagnada em outubro e bens de consumo pesam

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira ficou estagnada em outubro, pior do que o esperado e iniciando o último trimestre do ano sem força, com mau desempenho em todas as categorias, sobretudo na de bens de consumo.

Operário trabalha na linha de montagem da marca de caminhões Scania, em São Bernardo do Campo, em São Paulo. 15/09/2010 . REUTERS/Paulo Whitaker

Sobre um ano antes, a atividade recuou 3,6 por cento em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta terça-feira, acumulando em 12 meses queda de 2,6 por cento, o pior desempenho desde setembro de 2012 (-2,9 por cento).

Pesquisa da Reuters com analistas mostrou que a expectativa era de que a produção industrial subisse 0,30 por cento na comparação mensal e queda de 3 por cento na anual.

“Esse mês não houve nenhum tipo de efeito do calendário e, na comparação interanual, chegou-se a 8 meses seguidos de queda”, afirmou o economista do IBGE André Macedo. “É um perfil de queda disseminado”, acrescentou.

Segundo o IBGE, nenhuma das principais categorias mostrou expansão em outubro, quando comparado com o mês anterior, com destaque para bens de consumo duráveis e semiduráveis e não duráveis em queda de 0,8 e 0,6 por cento, respectivamente. Em setembro, elas tinham subido.

O mau desempenho vem em meio ao cenário de atividade econômica fraca e inflação elevada, e perspectiva de arrefecimento no crédito devido ao novo ciclo de aperto monetário iniciado pelo Banco Central. Ao elevar a taxa básica de juros do país, para combater a alta dos preços, a autoridade também encarece o custo dos empréstimos, afetando o consumo.

“Inadimplência e maior comprometimento da renda, seletividade e encarecimento do crédito e mercado de trabalho moderado justificam o comportamento da demanda interna menor. E, combinado a isso, na maior parte da indústria os estoques estão acima do considerado ideal”, afirmou Macedo.

Dos 24 ramos pesquisados, segundo o IBGE, 16 mostraram queda em outubro. As principais influências negativas vieram dos produtos farmacêuticos (-9,7 por cento) e veículos automotores(-2,2 por cento). Na outra ponta, houve expansão em produtos alimentícios (2,5 por cento).

E já há sinais de que o setor não conseguiu mostrar recuperação neste final deste ano. O Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) de novembro mostrou que a indústria brasileira viu a contração aprofundar ainda mais, com queda na produção e novos negócios.

A economia brasileira está estagnada, com o setor industrial pesando neste quadro. No trimestre passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,1 por cento, com a indústria marcando expansão de 1,7 por cento sobre o segundo trimestre, quando houve menos dias úteis por conta da Copa do Mundo e ajudando na recuperação agora.

Pesquisa Focus do Banco Central com economistas mostra que a projeção é de contração de 2,26 por cento da indústria neste ano e crescimento de 1,13 por cento em 2015. Para o PIB, as contas são de crescimento de 0,19 e 0,77 por cento, respectivamente.

A nova equipe econômica --encabeçada por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central-- já sinalizou mais rigor fiscal para tentar recuperar a confiança dos agentes econômicos.

Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro

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