2 de Dezembro de 2014 / às 17:48 / 3 anos atrás

Ex-diretor da Petrobras diz que há corrupção em outros setores

BRASÍLIA (Reuters) - As irregularidades que estão sendo investigadas pela Polícia Federal na Petrobras acontecem no país inteiro, afirmou nesta terça-feira o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, um dos delatores de um suposto esquema de corrupção na petroleira, em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa durante depoimento em CPI em Brasília. 02/12/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

Costa fez diversas declarações aos parlamentares, apesar de ter dito inicialmente que não responderia a perguntas, para não comprometer seu acordo de delação premiada com a Justiça.

“Isso que está no noticiário, que acontecia na Petrobras, acontecia no Brasil inteiro, nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas, isso acontece no Brasil inteiro, é só pesquisar”, declarou Costa à CPMI que investiga denúncias envolvendo a Petrobras.

Costa foi preso neste ano dentro da operação Lava Jato da Polícia Federal e passou seis meses preso na carceragem de Curitiba até aceitar acordo de delação premiada, na qual denunciou um suposto esquema de sobrepreço e corrupção na Petrobras que alimentaria os cofres de partidos políticos, entre eles o PT, PP e o PMDB.

Costa foi questionado sobre quantos políticos foram citados em suas denúncias de corrupção na estatal, no âmbito da delação premiada.

“Algumas dezenas”, afirmou Costa, sem dar detalhes, após acareação com o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró na CPMI.

Costa também mencionou à Justiça a existência de um cartel de grandes empreiteiras em obras da Petrobra. Seus depoimentos colaboraram para levar à prisão, recentemente, vários executivos de empreiteiras envolvidas em obras da Petrobras, em uma nova fase da operação Lava Jato, mas a maioria já foi solta.

Apesar de não ter dado detalhes de seu depoimento à Justiça, ele confirmou o conteúdo de suas denúncias.

“Não tem nada na delação que eu falei que eu não confirme”, afirmou o ex-diretor.

INFLUÊNCIA POLÍTICA

Costa ressaltou que entrou na Petrobras em 1977, por concurso público, e assumiu a diretoria de Abastecimento 27 anos depois. Segundo ele, sem apoio político, não teria conseguido assumir uma diretoria da estatal.

“Desde o governo Sarney, governo Collor, governo Itamar, governo Fernando Henrique – todos –, governo Lula, governo Dilma, todos os diretores da Petrobras e diretores de outras empresas, se não tivessem apoio político, não chegavam a diretor. Isso é fato. Pode ser comprovado”, disse Costa.

Costa disse se arrepender “amargamente” por ter aceitado o cargo.

“Infelizmente, infelizmente-- eu me arrependo amargamente, porque estou sofrendo isso na carne, estou fazendo minha família sofrer--, infelizmente, aceitei uma indicação política para assumir a Diretoria de Abastecimento. Estou extremamente arrependido de ter feito isso”, disse.

“Aceitei esse cargo e esse cargo me deixou e nos deixou aqui onde estou hoje.”

A Petrobras afirmou anteriormente em nota que “está sendo oficialmente reconhecida pelas Autoridades Públicas como vítima nesse processo”.

A companhia tem dito que vem acompanhando as investigações e colaborando efetivamente com os trabalhos das autoridades.

Já afirmou que trabalha com medidas adequadas buscando ressarcimento de supostos recursos desviados e de eventuais sobrepreços de contratos, conforme mencionado pelo ex-diretor.

CERVERÓ NEGA CORRUPÇÃO

O ex-diretor da área internacional do Petrobras Nestor Cerveró negou qualquer conhecimento e envolvimento em corrupção na estatal.

“Desconhecia, portanto, para mim não havia” corrupção da estatal, disse Cerveró, que defendeu a controversa compra da refinaria de e Pasadena, nos Estados Unidos.

Cerveró reiterou que a aquisição foi aprovada pelo Conselho de Administração e que foi um bom negócio para a Petrobras. “Pasadena foi um bem negócio, foi um negócio dentro do planejamento estratégico da Petrobras na época e, como tal, foi aprovado pelo Conselho”, disse.

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