5 de Dezembro de 2014 / às 11:50 / 3 anos atrás

IPCA acelera alta a 0,51% em novembro com carnes e gasolina, e continua acima do teto da meta

Frentista de posto de gasolina abastece um carro em São Paulo. 22/08/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira acelerou em novembro a 0,51 por cento, pressionada por alimentos e gasolina, permanecendo acima do teto da meta em 12 meses e mantendo a nova equipe econômica sob pressão para que torne a política fiscal mais rigorosa e controle a alta dos preços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,56 por cento em 12 meses até novembro, um pouco abaixo dos 6,59 por cento de outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Em outubro, o IPCA havia avançado 0,42 por cento na base mensal.

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou menos. Analistas consultados pela Reuters, no entanto, acreditam que o IPCA encerrará este sem estourar a meta, apesar de ficar próximo do teto.

“Acho bem difícil estourar”, afirmou a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro, para quem o IPCA deve acelerar a 0,68 por cento em dezembro, fechando o ano com alta acumulada de 6,3 por cento.

Segundo contas do próprio IBGE, para encerrar o ano exatamente no topo da meta, o IPCA de dezembro teria subir 0,86 por cento. E, para repetir os 5,91 por cento de 2013, neste mês teria de subir 0,30 por cento.

Os resultados de novembro ficaram um pouco abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,54 por cento sobre o mês anterior e de 6,59 por cento em 12 meses.[nL2N0TM0QH]

CARNES E GASOLINA

Segundo o IBGE, o maior impacto sobre o IPCA de novembro veio do grupo Alimentação e Bebidas, cujo avanço dos preços acelerou a 0,77 por cento, após 0,46 por cento em outubro. Com isso, o grupo foi o que registrou o maior peso no mês, de 0,19 ponto percentual, devido principalmente à alta de 3,46 por cento no preço das carnes.

“Os alimentos têm pressionado, não só por conta da seca, como também pelo aumento das exportações, especialmente da carne (para a Rússia)”, destacou a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

Os preços administrados subiram 0,72 por cento em novembro, contra avanço mensal de 0,38 por cento no mês anterior. No acumulado em 12 meses, os administrados registram inflação de 5,83 por cento.

A gasolina foi o segundo item individual de maior impacto no IPCA do mês, com alta de 1,99 por cento, levando o grupo Transportes a registrar inflação de 0,43 por cento em novembro, contra 0,39 por cento em outubro.

No início do mês passado, a Petrobras anunciou reajuste nos preços da gasolina e do diesel.[nL1N0SW3HI]

Outra fonte de pressão sobre a inflação são os serviços, cuja alta acelerou a 0,46 por cento em novembro, contra 0,43 por cento no mês anterior. Em 12 meses, esses preços acumularam alta de 8,28 por cento no mês passado, abaixo dos 8,48 por cento vistos em outubro.

Para o economista da Rosenberg & Associados Leonardo França Costa, a pressão dos preços administrados continuarão pesando no próximo ano, mantendo a inflação em 12 meses em torno dos 6,5 por cento.

“Os preços livres vão continuar desacelerando, especialmente em serviço, por conta da economia”, disse ele, projetando o IPCA em 6,5 por cento ao final do próximo ano.

Diante da inflação pressionada, o Banco Central intensificou o ritmo de aperto monetário nesta semana e elevou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, a 11,75 por cento ao ano. A autoridade monetária tem destacado as pressões dos preços administrados e do câmbio sobre a inflação. [nL2N0TN2S0]

Mas, embora o BC tenha indicado que pode reduzir a intensidade da alta em breve, o movimento reforçou as sinalizações dadas pela nova equipe econômica --com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini mantido no BC-- de maior rigor fiscal e combate à inflação.

Reportagem adicional de Jeb Blout, no Rio de Janeiro

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