21 de Julho de 2015 / às 15:43 / em 2 anos

Parceria da Renova com SunEdison traz competitividade para novos projetos

SÃO PAULO (Reuters) - A parceria entre a Renova, empresa de energia renovável da Cemig, e a norte-americana SunEdison deve ir além de 2020, garantindo fôlego financeiro no longo prazo para todos os novos investimentos em um momento em que empresas do setor elétrico brasileiro enfrentam dificuldades ou altos custos para captação de recursos.

“O acordo prevê que toda decisão de investimento da Renova deverá vir acompanhada de uma proposta da TerraForm Global (controlada da SunEdison) para adquirir esses ativos, uma vez que acabem de ser construídos”, disse à Reuters o diretor vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Renova, Pedro Pileggi.

Segundo ele, o modelo antecipa a geração de valor para a empresa e torna-se um forte diferencial competitivo nos leilões de energia elétrica.

“Ao invés de aplicar no longo prazo, o capital entra, você coloca (as usinas) de pé e esse capital já volta para financiar a companhia”, disse o diretor.

A transação envolveu a entrada da SunEdison no bloco de controle da Renova, com a compra da participação da Light, e a venda de ativos operacionais e em desenvolvimento para a TerraForm Global, uma companhia da SunEdison que investe na aquisição de usinas renováveis em países emergentes, com foco no recebimento de dividendos.

Com isso, o executivo destaca que a empresa passa a ter disponibilidade de recursos e previsibilidade quanto ao custo de capital para investimentos justamente em um momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem reduzido a participação em financiamentos e as taxas de juros no país estão elevadas.

“Temos a possibilidade de continuar crescendo e explorando as oportunidades do setor de energia em um momento em que muitas das companhias estão em uma postura --adequada, inclusive-- de compasso de espera”, afirmou Pileggi.

Em um primeiro momento, a Renova receberá 587 milhões de reais em dinheiro, além de 1 bilhão de reais em ações da TerraForm Global, que prepara a abertura de capital nos Estados Unidos. O negócio envolve ainda a previsão de que todos projetos do portfólio da Renova sejam trocados por ações da TerraForm conforme entrem em operação, o que renderá 13,4 bilhões de reais entre 2017 e 2020.

Novos projetos, que vão além de 2020, também seguirão esse modelo.

Além disso, como a TerraForm Global já comprou ativos em operação em Brasil, China, Índia, Uruguai, África do Sul, Peru, Malásia e Tailândia, as ações da companhia que a Renova receberá como pagamento por seus parques renderão dividendos à empresa.

PLANOS DE EXPANSÃO

O diretor disse que a Renova possui uma carteira de 15 gigawatts, ou mais que uma usina de Itaipu, em projetos em diferentes graus de desenvolvimento, dos quais cerca de 90 por cento são eólicos e os demais dividem-se entre usinas solares e pequenas hidrelétricas (PCHs).

Embora não confirme quantos desses projetos estariam já prontos para serem inscritos em leilões e nem confirme se a empresa participará das próximas licitações, Pileggi comenta que a Renova tem interesse em desenvolver novos projetos, e, mesmo com caixa, não vai mirar uma expansão via aquisições.

“Estamos, como sempre, participando dos leilões, temos projetos cadastrados... as decisões dos acionistas ainda não foram tomadas... de forma genérica, mantemos nosso interesse, achamos que pode haver boas oportunidades no momento setorial”, disse Pileggi.

O executivo também disse que o contrato de fornecimento que a Renova possui junto à Alstom, para entrega de cerca de 1,5 gigawatts em equipamentos eólicos, segue vigente, mas está praticamente todo contratado, o que indica a necessidade de eventuais novas contratações. “Temos ainda uns 250 megawatts a 280 megawatts a serem utilizados (do contrato original)”.

O acordo foi estratégico para a Renova nos últimos anos, uma vez que a disputa por equipamentos eólicos no Brasil tornou-se acirrada após o BNDES anunciar um plano de aumento do índice de nacionalização do setor que fez com que fabricantes como Suzlon e Vestas não pudessem mais ter a compra de suas máquinas financiadas pelo banco.

Além disso, fabricantes como Impsa e Fuhrlander entraram em recuperação judicial e reduziram a oferta de aerogeradores.

Pileggi, no entanto, disse que ainda não há uma decisão tomada quanto à continuidade do contrato ou a busca por outros fornecedores.

“A previsibilidade de demanda é determinante para isso, e estamos justamente fazendo essas análises no momento. Há incentivo de renovar essa parceria ou contratar uma nova só se a gente tiver uma boa previsibilidade de demanda por energia para os próximos anos”, apontou o executivo.

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