23 de Julho de 2015 / às 17:38 / em 2 anos

Produção de açúcar do centro-sul fica ameaçada por chuvas

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar do centro-sul do Brasil somou 1,44 milhão de toneladas na primeira quinzena de julho, queda de mais de 40 por cento ante a segunda quinzena de junho e também na comparação com o mesmo período da temporada passada, em meio a chuvas que ameaçam as previsões iniciais de produção, afirmou a Unica nesta quinta-feira.

A produção do adoçante caiu ainda com usinas destinando mais cana para a produção de etanol, que está com preços mais interessantes e demanda mais forte, segundo a associação que representa as usinas do centro-sul, região que responde por cerca de 90 por cento da safra do Brasil, o maior produtor e exportador global da commodity.

As usinas do centro-sul moeram 29,26 milhões de toneladas de cana na primeira metade de julho, significativa queda de 29,3 por cento sobre a mesma quinzena de 2014 e retração de 37,2 por cento em relação à quantidade esmagada na última quinzena de junho.

Os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York ampliaram ganhos ligeiramente após a divulgação dos dados da Unica, que subiam cerca de 1 por cento por volta das 13h10 (horário de Brasília).

“Essa redução da moagem na primeira quinzena de julho se deve ao excesso de chuvas que atingiram importantes áreas canavieiras no centro-sul, principalmente aquelas localizadas nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo”, disse o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, em nota.

Rodrigues destacou também que, “caso o clima mais chuvoso persista nas próximas quinzenas, a dificuldade de operacionalização da colheita e a piora na qualidade da matéria-prima poderão levar a uma safra (2015/16) menor do que aquela inicialmente prevista, mesmo assumindo um período de moagem mais longo do que o normal”.

“Para atingir as 590 milhões de toneladas de cana-de-açúcar estimadas em abril para o centro-sul, as unidades produtoras precisarão colher 35 milhões de toneladas adicionais no comparativo com a safra anterior ao longo das próximas quinzenas”, acrescentou o executivo.

No acumulado desde o início da safra até 16 de julho, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) totalizou 122,48 kg por tonelada de matéria-prima, queda de 3,5 por cento na comparação com o total apurado na mesma data de 2014 --chuvas tendem a reduzir a concentração de ATR.

ETANOL

Da quantidade total de cana-de-açúcar moída na primeira quinzena de julho, somente 39,1 por cento destinou-se à produção de açúcar, contra 46,40 no mesmo período da safra 2014/2015. No acumulado desde o início da safra, o índice totalizou 39,92 por cento, a menor proporção registrada desde a safra 2008/2009, quando a quantidade de matéria-prima alocada à produção de açúcar até 16 de julho havia alcançado 39,71 por cento.

Como resultado, a produção de açúcar caiu 17 por cento no acumulado da safra ante a temporada anterior, para 10,71 milhões de toneladas.

Para Rodrigues, “esta tendência atual de alocação da matéria-prima processada sugere que a produção de açúcar na safra 2015/2016 deve ficar inferior àquela inicialmente prevista pela entidade no início deste ano” --a Unica previa produção de 31,8 milhões de toneladas.

De outro lado, esse movimento garante maior estabilidade à oferta de etanol, mesmo considerando uma possível redução no processamento e na qualidade da cana, acrescentou.

O volume produzido de etanol nos primeiros 15 dias de julho alcançou 1,39 bilhão de litros (527,9 milhões de litros de etanol anidro e 859,2 milhões de litros de etanol hidratado), ante 1,81 bilhão de litros apurados na mesma quinzena do ano anterior.

A produção acumulada de etanol somou 9,98 bilhões de litros, ligeiramente inferior aos 10,26 bilhões de litros fabricados em idêntico período da safra 2014/2015.

Deste volume, 3,39 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro e 6,59 bilhões de litros ao etanol hidratado --cifra 12 por cento superior àquela verificada em 2014, com o consumo crescendo fortemente no Brasil, em meio à maior competitividade frente à gasolina, cujas vendas têm caído no país.

Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora

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