30 de Julho de 2015 / às 01:51 / em 2 anos

BC eleva juros em 0,5 p.p., a 14,25%, e sinaliza fim do ciclo de aperto

Notas de 100 reais são inspecionadas na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. 23/08/2012 REUTERS/Sergio Moraes

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira, a 14,25 por cento ao ano, levando a Selic ao maior patamar em nove anos e sinalizando um possível encerramento do ciclo de aperto monetário iniciado em outubro do ano passado, após sete altas consecutivas dos juros.

Em uma mudança de tom, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou no comunicado que a decisão foi tomada “avaliando o cenário macroeconômico, as perspectivas para a inflação e o atual balanço de riscos” e que entende que “a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”.

Nesta reunião, o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, decidiu se abster de participar “a fim de evitar possíveis prejuízos à imagem do Banco Central do Brasil, sendo essa decisão em caráter pessoal e irretratável”, segundo comunicado do BC. A decisão veio após o diretor dizer na semana passada que votaria pela alta dos juros até que as perspectivas estivessem apontando para o centro da meta de inflação.

Para economistas, o tom do comunicado da decisão desta quarta-feira sugere o fim das elevações na Selic, com a crença de que a fraca atividade econômica e a deterioração do mercado de trabalho devem ajudar a empurrar a inflação para baixo.

“O que o BC vinha apontando é que tinha confiança em parar quando a projeção (de inflação) dele parasse na meta. A projeção dele deve ter ido exatamente para 4,5 por cento”, avaliou o economista-chefe do Banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, em referência ao alvo buscado pela autoridade monetária para o fim do ano que vem.

O economista-chefe do Banco Besi, Jankiel Santos, também acredita que o comunicado indicou fim do ciclo de aperto monetário.

“O BC deu a entender isso quando diz que entende que a manutenção desse patamar, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016. Salvo a adição feita no primeiro parágrafo sobre o balanço de riscos, porque esse balanço pode mudar”, ressaltou Santos.

Em pesquisa da Reuters, 42 dos 55 analistas consultados projetavam alta de 0,50 ponto percentual na Selic, com o restante vendo aumento de 0,25 ponto percentual na taxa.

Este foi o sétimo aumento seguido na Selic desde o início do atual ciclo de aperto, em outubro, repetindo a dose de alta em 0,5 ponto percentual pela sexta vez consecutiva. Com isso, a taxa volta para o maior nível desde agosto de 2006, de 14,25 por cento, em estratégia do BC para combater a inflação.

Apesar da economia cambaleante, a alta de preços segue persistente neste ano, pressionada pelo reajuste de tarifas e preços administrados e pela desvalorização do real. Nos 12 meses até julho, a prévia do IPCA bateu em 9,25 por cento, leitura mais alta desde dezembro de 2003 e bem acima da meta de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

SINALIZAÇÕES

Em mais de um evento, Volpon apontou que o ajuste no mercado de trabalho diminuiria a inércia inflacionária e, na semana passada, afirmou que votaria pelo aumento de juros até que a projeção do BC estivesse de uma maneira satisfatória apontando para o centro da meta de inflação.

A postura fez parte do mercado apostar, naquele momento, numa alta mais branda dos juros nesta reunião do Copom. Mas a equipe econômica do governo reduziu drasticamente as metas fiscais, virando o jogo das expectativas para a Selic, que voltaram a ser de alta de 0,5 ponto.

Ecoando a mudança de cenário, o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu, apontou na sexta-feira o surgimento de novos riscos inflacionários no país, reforçando que é “primordial” permanecer vigilante. Muitos viram uma referência às alterações nas metas de economia feita para pagamento de juros da dívida.

Os comentários de Volpon sobre possibilidade de voto nas reuniões do Copom causaram ruídos no mercado, com alguns enxergando a investida do diretor como uma antecipação do seu voto.

O assunto foi tópico de reunião extraordinária da diretoria do BC na véspera, sendo que, após ouvir os esclarecimentos de Volpon, o colegiado recomendou aos membros do Copom que “redobrem a natural e reconhecida cautela em suas manifestações”, segundo ata desse encontro.

“Sobre o Volpon, é uma cautela, e o comitê concordou. Como ele resolveu que o nome dele não ia aparecer, é absolutamente adequado abrir todo o andar dessa história, então faz uma ata e encaminha tudo com a maior clareza possível. Eu realmente não vejo nisso nada de extraordinário”, disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima.

Reportagem adicional de Camila Moreira

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