13 de Agosto de 2015 / às 21:04 / 2 anos atrás

Exportações dão esperança para fabricantes de bens de consumo no Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - De cigarros a batom, passando por sandálias, as exportações emergiram como uma linha de salvação para as empresas de bens de consumo do Brasil que estão sofrendo a pior queda de demanda doméstica em mais de uma década.

Com o real em uma mínima de doze anos, as vendas externas mantiveram diversas companhias no azul, ajudando-as a superar rivais focadas no mercado local, de acordo com uma análise da Reuters dos ganhos do segundo trimestre.

Alpargatas, Natura e a produtora de tabaco Souza Cruz confiaram no aumento da receita no exterior no último trimestre para obscurecer as vendas estagnadas ou em queda no Brasil.

O sucesso delas impulsiona as esperanças de que o Brasil pode se diversificar além das matérias-primas que agora dominam as exportações, restituindo a competitividade dos manufaturados e abrindo uma das economias mais fechadas do mundo.

Para expandir os ganhos, as empresas devem enfrentar inflação crescente nos preços de fornecedores e fortalecer laços comerciais estrangeiros, que murcharam durante o boom doméstico de uma década, dizem analistas e grupos industriais.

“As únicas companhias que conseguiram se beneficiar são as que já possuem um histórico no exterior”, afirmou Guilherme Moura Brasil, analista da corretora do banco Fator que acompanha Alpargatas e a rival Grendene.

No total, 15 empresas do índice de consumo da Bovespa reportaram receita no exterior em seus últimos resultados trimestrais, o que é menos da metade do índice, no entanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) combinado delas cresceram quase 20 por cento ante o ano anterior.

NÃO É PANACEIA

AS vendas externas subiram em pelo menos 11 das 15 companhias que divulgaram receitas com exportações, com o crescimento médio sendo ao redor de 40 por cento, em linha com a valorização do dólar contra o real.

As exportações não são panaceia, claro, especialmente para companhias voltadas a consumo no Brasil, onde o aumento no desemprego e confiança dos consumidores em mínimas históricas fizeram as vendas do varejo caírem por cinco meses consecutivos em termos sazonais ajustados.

O aumento nas taxas de juros e inflação de quase 10 por cento também estão elevando os custos e tornando mais difícil para as empresas brasileira seguirem competitivas nos mercados globais.

Mas o maior obstáculo aos exportadoras nos últimos anos vinha sendo o câmbio, com o real atingindo um pico em 12 anos em 2011. Preços elevados de commodities minimizaram os problemas cambiais para exportadores de grãos e minério de ferro, mas a participação da indústria nas exportações encolheu para cerca de um terço das vendas externas do Brasil nos últimos anos ante mais de 50 por cento uma década atrás, segundo dados do Banco Mundial.

“As empresas brasileiras estão sumidas há tanto tempo de alguns mercados que elas precisam se relançar neles como se fossem novos exportadores”, disse José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

O ciclo de produção mais curto da indústria têxtil torna o setor um forte candidato para liderar uma recuperação das exportações de manufaturados, afirmou Castro.

“Estamos vendo os frutos de uma estratégia que plantamos alguns anos atrás, quando sacrificamos lucro operacional para que pudéssemos investir mais no exterior”, disse o presidente-executivo da Alpargatas, Marcio Utsch, em teleconferência de resultados.

“Temos várias pernas de suporte. Não somos um saci dependente só do Brasil”, afirmou. As vendas externas da Alpargatas subiram de 2 por cento da receita da companhia em 2005 para 40 por cento no segundo trimestre.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) fez uma pesquisa com fabricantes focados apenas no mercado doméstico e descobriu que cerca de quatro em cada cinco empresas consultadas tem planos de exportar em algum momento, uma taxa que dobrou desde o início do ano.

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