19 de Agosto de 2015 / às 21:16 / em 2 anos

Bovespa fecha na mínima em 17 meses pressionada por bancos; Banco do Brasil cai 6%

SÃO PAULO (Reuters) - O pessimismo prevaleceu na bolsa paulista nesta quarta-feira, com o Ibovespa recuando para a mínima em 17 meses, em meio ao persistente risco de fim do mecanismo de juros sobre capital próprio e com anúncio de estímulos ao setor automotivo reavivando temores de ingerência do governo em bancos públicos.

O Ibovespa fechou em queda de 1,82 por cento, a 46.588 pontos, menor nível desde 19 de março de 2014. O giro financeiro totalizou 6,2 bilhões de reais.

No pior momento do dia, o principal índice da Bovespa chegou a cair 3,1 por cento, a 45.977 pontos, mas atenuou as perdas no meio da tarde, após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano, que reduziu expectativas de alta dos juros nos Estados Unidos em setembro.

Em dólar, o Ibovespa atingiu a mínima de 13.198 pontos na sessão, cerca de apenas 5 por cento acima da mínima registrada em novembro de 2008 (12.554 pontos), no auge da maior crise financeira mundial desde a Grande Depressão no início do século passado.

O ex-diretor do Banco Central Mario Mesquita, que comanda a área de economia do banco Brasil Plural, disse em nota a clientes que a ata do Fed foi a única boa notícia ao mercado local. "Apesar dos esforços do governo (brasileiro), os ativos estão sentindo os efeitos do crescente risco político e de política econômica."

O Credit Suisse disse que o Ibovespa segue negociado com múltiplo acima de sua média histórica, logo, não está exatamente barato. "O Ibovepa derreteu em dólar mas os resultados das empresas também...A queda dos 57 mil para 47 mil pontos ajuda, mas é preciso cair mais para comprar considerando apenas preço", conforme nota a clientes.

DESTAQUES

=BANCO DO BRASIL caiu 6,17 por cento, com incertezas sobre a manutenção do benefício fiscal via juros sobre capital próprio (JCP) somando-se ao anúncio de programa da instituição para o setor automotivo, que reavivou temores sobre o uso de bancos públicos para estimular a economia. Na véspera, a Caixa Econômica Federal havia anunciado medidas de apoio à indústria automotiva e de autopeças. Para o Credit Suisse, a natureza do programa incorpora interferência do governo e, portanto, pode aumentar a percepção de risco de governança corporativa. Na visão de um gestor ouvido pela Reuters, as medidas de incentivo sugerem também que o governo está se perdendo em todo o esforço fiscal que vinha defendendo.

=ITAÚ UNIBANCO e BRADESCO recuaram 2,05 e 2,72 por cento, respectivamente, também repercutindo as incertezas sobre JCP, com o setor bancário entre os mais prejudicados por um eventual fim desse benefício fiscal. "Apesar do preço atrativo, é difícil ficar otimista (com o setor)", disse o BTG Pactual, destacando em nota a clientes que o fim do JCP não está fora da mesa e os bancos públicos estão agindo no contraciclo "de novo". A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse na terça-feira que vai apresentar projeto para remoção do benefício depois de ter retirado a proposta de relatório sobre a medida provisória que trata da CSLL de instituições financeiras. SANTANDER BRASIL caiu 1,91 por cento.

=AMBEV recuou 3,09 por cento e exerceu uma das maiores pressões de baixa no Ibovespa, já que a fabricante de bebidas seria uma das mais afetadas pela eliminação do JPC.

=MRV ENGENHARIA fechou em queda de 0,74 por cento, depois de recuar quase 4 por cento no pior momento do dia, após a Câmara dos Deputados aprovar na terça-feira à noite o projeto que altera as regras da remuneração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), importante financiador do setor de habitação. De acordo com analistas, empresas focadas na baixa renda e com exposição ao programa Minha Casa Minha Vida tendem a ser mais afetadas pela alteração.

=PETROBRAS fechou com queda de 2,33 por cento nas preferenciais, acompanhando o forte declínio do petróleo, mesmo após divulgar que sua produção de petróleo no Brasil em julho atingiu média de 2,142 milhões de barris/dia, alta de 2,6 por cento ante junho e de 4,5 por cento ante o mesmo mês do ano passado.

=VALE terminou com as preferenciais em queda de 2,67 por cento, na esteira da queda dos preços do minério de ferro na China, com o contrato futuro da commodity mais negociados na bolsa de Dalian fechando em baixa de 1,6 por cento.

=CEMIG perdeu 4,62 por cento, guiando as perdas do setor elétrico na bolsa, em meio à análise da Medida Provisória 688 que trata da compensação das hidrelétricas por perdas decorrentes do déficit de geração e também altera a forma de dividir esse risco a partir do próximo ano. O UBS avalia que cada caso será negociado individualmente, com impactos ainda não claros na rentabilidade de curto prazo do setor ou de cada companhia.

=MARCOPOLO subiu 1,49 por cento, uma vez que a fabricante de carrocerias de ônibus tende a se beneficiar das medidas do governo para o setor automotivo. Para o Credit Suisse, o pacote anunciado nesta quarta-feira de apoio do Banco do Brasil ao segmento deve dar um alívio para a saúde financeira das empresas do setor, mas deve ter impacto limitado na demanda, pois não há estímulo nas vendas de veículo.

=FIBRIA fechou em alta de 2,08 por cento, revertendo perdas da manhã, após a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo anunciar aumento de 20 dólares no preço da tonelada do insumo, o quarto neste ano, com validade a partir de 1º de setembro. Para a equipe de analistas do Itaú BBA, "apesar do aumento ser relativamente pequeno, sinaliza que os fundamentos da demanda por fibra curta continuam fortes no curto prazo". SUZANO PAPEL E CELULOSE também reagiu à notícia e fechou em alta de 3,72 por cento.

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