21 de Agosto de 2015 / às 15:16 / 2 anos atrás

Política monetária terá "viés conservador" por muito tempo, diz diretor do BC

Sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/ 2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

BELO HORIZONTE (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, disse nesta sexta-feira que a política monetária terá viés conservador por período prolongado e que é preciso “muita calma”, “sangue frio”, “paciência” e “perseverança” neste processo.

Awazu voltou a repetir o mantra atual do BC de que o objetivo é fazer com que a inflação volte para o centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA, no final de 2016 e que, para isso, é necessária a manutenção do atual patamar da taxa básica de juros --de 14,25 por cento ao ano-- por período suficientemente prolongado. Mas que o BC permanecerá vigilante.

O diretor também sinalizou que, caso ocorra algo fora dessa programação, o BC vai agir. “Alterações significativas no processo de convergência da inflação serão endereçadas com determinação pela política monetária”, afirmou ele, ao apresentar o Boletim Regional do BC, em Belo Horizonte.

Awazu disse ainda que o cenário de convergência da inflação para 4,5 por cento no final de 2016 tem se fortalecido, e que a estratégia está na direção correta. “A estratégia de política monetária exige muita calma e sangue frio dado o cenário externo e doméstico”, acrescentou.

No final de julho, o BC elevou a Selic em 0,5 ponto percentual --a 14,25 por cento ao ano, maior nível em nove anos-- e sinalizou que estaria interrompendo esse ciclo monetário, que começou em outubro passado e gerou alta acumulada de 3,25 pontos percentuais no juro básico.

Isso mesmo com a inflação ainda em níveis elevados, mas em meio ao cenário de recessão econômica. O IPCA-15, prévia da inflação oficial brasileira, desacelerou em agosto, mas em 12 meses ampliou a força e foi acima de 9,5 por cento, maior patamar em quase 12 anos.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, disse há uma semana que a inflação acumulada em 12 meses atingirá o pico neste trimestre e permanecerá elevada até o fim do ano, “para depois iniciar trajetória de queda”.

O diretor do BC avaliou que as expectativas de inflação no médio e longo prazos estão bem ancoradas, mas que as de 2016 tiveram uma ligeira alta. “Temos de ver se isso é temporário”, afirmou ele.

As apostas no mercado de juros futuros são de que a Selic será mantida em setembro, segundo dados da Reuters. A taxa somente voltaria a cair em meados de 2016.

Awazu disse ainda que o peso dos efeitos de eventos não-econômicos é significativo na atividade e que o “pass-through” do câmbio no Brasil tem se mostrado menor do que no passado. Só em julho, o dólar subiu 10 por cento sobre o real, acumulando no ano, até a véspera, 30 por cento de valorização.

Sobre o cenário externo, o diretor afirmou que o Brasil deve se preparar para novo ambiente de moderação ou estabilização dos preços das commodities, e que os novos eventos na China --com queda nos preços das ações e desvalorização do iuan-- adicionaram volatilidade aos mercados financeiros internacionais. Para ele, a esperada alta nas taxas de juros nos Estados Unidos também pode geram alguma volatilidade nos mercados.

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