August 26, 2015 / 2:11 PM / 3 years ago

Inadimplência no Brasil em julho é a mais alta em 2 anos, a 4,8%

BRASÍLIA (Reuters) - A inadimplência no mercado de crédito brasileiro no segmento de recursos livres subiu a 4,8 por cento em julho, alcançando o patamar mais alto em dois anos, em meio ao cenário de juros elevados e consequente encarecimento dos financiamentos, divulgou o Banco Central nesta quarta-feira.

A taxa é a maior desde o mesmo mês de 2013, quando atingiu 4,84 por cento. Em junho, a inadimplência neste segmento, em que as instituições financeiras definem as taxas de juros livremente, havia sido de 4,6 por cento, segundo dado revisado pelo BC.

O crescimento da inadimplência no segmento em julho foi maior entre empresas, com o índice passando a 4,1 por cento, contra 3,9 por cento em junho. Entre pessoas físicas, também houve avanço no período, a 5,4 por cento, contra 5,3 por cento.

A maior inadimplência, que são atrasos acima de 90 dias nos pagamentos de dívidas, tem como pano de fundo o cenário de deterioração do mercado de trabalho, baixo crescimento econômico e inflação acima de 9 por cento no acumulado em 12 meses, muito superior ao centro da meta do governo— de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Reagindo ao avanço persistente dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou a Selic em 0,5 ponto percentual no fim de julho, a 14,25 por cento ao ano, patamar mais elevado em nove anos.

Com isso, ainda segundo o BC, a taxa média de juros no segmento de recursos livres manteve trajetória de alta em julho, indo a 44,2 por cento ao ano, novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011.

O spread bancário —diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos ao consumidor final— seguiu igual toada, indo a 31,4 pontos percentuais no mesmo segmento, ante 30,6 pontos percentuais em junho.

No mês passado, informou ainda o BC, o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,3 por cento sobre junho, chegando a 3,111 trilhões de reais, ou 54,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses a alta foi de 9,9 por cento.

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS

O BC também divulgou que o endividamento das famílias em junho, dado mais recente disponível, caiu a 45,8 por cento, contra 46,1 por cento em maio. O percentual considera o impacto de financiamentos imobiliários.

Excluído esse efeito, o endividamento das famílias recuou para 27,1 por cento em junho, contra 27,4 por cento em maio.

Já o comprometimento de renda considerando financiamentos imobiliários manteve-se em junho, a 21,9 por cento.

Por Marcela Ayres

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