26 de Agosto de 2015 / às 15:56 / 2 anos atrás

Vencedores de leilão de transmissão dizem que financiamento limitou concorrência

SÃO PAULO (Reuters) - A Planova e a Celg GT, que arremataram lotes no leilão de linhas de transmissão realizado nesta quarta-feira pela Agencia Nacional de Energia Eletrica (Aneel), disseram que as condições macroeconômicas do país, que dificultaram a obtenção de financiamento, limitaram a concorrencia na licitação, que registrou um interesse aquém do esperado.

O presidente do Conselho de Administracao da Planova, Sergio Facchini, disse a jornalistas após o leilão que "precisa ser muito corajoso para enfrentar as taxas (de juros) de mercado", enquanto Elie Chidiac, diretor de gestão corporativa da CelgPar, disse que a empresa conseguiu vencer porque usará 80 por cento de caixa para construir a concessão que arrematou, em Goiás.

O leilão de linhas de transmissão atraiu investidores para apenas quatro dos 11 lotes de empreendimentos ofertados. Dois lotes foram arrematados pela espanhola Isolux, um pela estatal goiana Celg GT e outro pela Planova, uma empresa de planejamento e construções novata no setor.

Facchini, da Planova, adiantou que a empresa pretende financiar 50 por cento dos recursos a serem utilizados nas obras com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enquanto 30 por cento seriam captados por meio da emissão de debêntures de infraestrutura e 20 por cento seriam capital próprio.

Já a Celg, segundo Chidiac, espera obter um empréstimo junto ao BNDES no valor de 20 por cento dos investimentos previstos, para complementar o valor que será aportado em capital próprio.

O secretário adjunto de Planejamento e Desenvolvimento do Ministério de Minas e Energia, Moacir Carlos Bertol, afirmou que o governo tem avaliado como viabilizar os projetos previstos no plano de investimentos em energia elétrica mesmo em um cenário de crédito mais apertado, até mesmo no BNDES, que reduziu a participação nos empreendimentos de energia.

"As transmissoras também contam, fundamentalmente, com o BNDES. O ministério está olhando essa situação, sabe da conjuntura que temos hoje, de superar essa situação econômica e financeira do país, mas está trabalhando para dar condições para que os agentes façam os investimentos necessários", disse Bertol.

Por Luciano Costa

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