2 de Setembro de 2015 / às 22:46 / 2 anos atrás

Atacarejo cresce com consumidor pressionado por crise econômica

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação elevada e a queda da renda dos brasileiros têm contribuído para elevar a presença de consumidores finais nas lojas de atacarejo, o que tem ampliado as vendas de redes como Assaí, do Grupo Pão de Açúcar, e Roldão, apesar da queda da demanda de comerciantes, clientes tradicionais do segmento.

De acordo com o presidente do Assaí, Belmiro Gomes, a rede já percebeu um crescimento das vendas de produtos como arroz, feijão, açúcar e leite por conta do aumento no número de consumidores, inclusive de classes mais altas, para compras do mês ou para eventos como datas comemorativas.

O Assaí é vice-líder de mercado no atacarejo do país depois do Atacadão, do grupo Carrefour.

Segundo Gomes, categorias de produtos como farinha de trigo e muçarela, mais adquiridos por pizzarias e pastelarias, e batata-frita têm tido forte redução de vendas, diante da menor saída dos consumidores para refeições fora de casa, especialmente à noite.

“De um lado percebemos uma desaceleração dos clientes comerciantes, especialmente o pessoal de ‘food service’ noturno tem reclamado muito, tem tido queda forte (de vendas) e é um público importante do nosso negócio”, disse Gomes, sem informar o percentual da queda de vendas.

“Mas, por outro lado, temos registrado um aumento do consumidor final, que está buscando o atacado como uma alternativa para ter preços mais baixos.”

Segundo estimativas de consultorias de mercado, os preços dos atacadões ou atacarejos, que vendem produtos também a consumidores finais, são, em média, 15 por cento menores na comparação com supermercados e hipermercados tradicionais.

O atacadista paulista Roldão tem registrado a mesma tendência vista no Assaí. De acordo com Alexandre Primo, gerente de marketing da empresa, o faturamento tem subido a taxas de dois dígitos altos até julho, com previsão de manter esse aumento nos últimos trimestres do ano, mesmo com a menor demanda dos comerciantes.

“Quando o cenário econômico aperta, o consumidor final deixa de comprar fora do lar e passa a comprar para a residência dele. Aumenta a participação da pessoa física” no faturamento, disse. Apesar da pessoa jurídica permanecer como o foco do Roldão, o crescimento do consumidor final na receita da rede tem sido o maior em cinco anos, disse o executivo.

MUDANÇA DE PERFIL

Caso o cenário de preços mais altos e queda da renda permaneça nos próximos trimestres, a tendência é de continuidade do crescimento das vendas aos consumidores finais nos atacarejos, o que poderá alterar a carteira de clientes dessas empresas, hoje dominadas pela pessoa jurídica.

Atualmente, o faturamento do Assaí -- que ficou em 2,44 bilhões de reais no segundo trimestre, alta de 25,6 por cento frente ao mesmo período de 2014 -- está igualmente dividido entre consumidores e comerciantes, mas caso a deterioração econômica se mantenha, a rede prevê que os primeiros possam superar os segundos, segundo Gomes.

“Percebemos claramente que os consumidores de classe B passam a frequentar a loja sem rejeição”, disse. “Já era uma tendência observada, (...), mas houve aceleração com a crise”, completou.

O Assaí é o segmento que mais cresce no Grupo Pão de Açúcar em termos de faturamento, com exceção da empresa Cnova, que reúne as atividades de comércio eletrônico.

Gomes afirmou que os consumidores podem estar preferindo o Assaí em detrimento de supermercados e hipermercados da concorrência e de bandeiras do próprio GPA, como Extra e Pão de Açúcar.

Segundo o analista Aldo Moniz, da corretora Um Investimentos, a alta das vendas do Assaí, que tem menores margens que Extra e Pão de Açúcar, mesmo que em parte provocada por uma migração de clientes de outras bandeiras do GPA, é positiva para o grupo.

“O Assaí tem beneficiado o resultado do GPA nos últimos trimestres, que tem sido negativamente afetado pela queda das vendas da empresa de móveis e eletroeletrônicos Via Varejo”, disse o analista.

Para o executivo do Roldão, a aumento das visitas de consumidores pessoa física está compensando a queda da demanda dos comerciantes, mesmo em termos de rentabilidade, já que os produtos vendidos ao consumidor final no atacarejo são mais caros que no atacado puro.

Edição Alberto Alerigi Jr.

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