4 de Setembro de 2015 / às 13:38 / 2 anos atrás

Avanço do emprego nos EUA reduz ritmo, mas taxa de desemprego cai a 5,1%

WASHINGTON (Reuters) - O crescimento do emprego nos Estados Unidos ficou abaixo do esperado em agosto, mas a queda da taxa de desemprego para a mínima de quase sete anos e meio de 5,1 por cento e o avanço dos salários mantiveram vivas as perspectivas de alta da taxa de juros pelo Federal Reserve neste mês.

A criação de vagas fora do setor agrícola somou 173 mil no mês passado com o setor industrial fechando o maior número de postos de trabalho desde julho de 2013, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. O número representa uma desaceleração ante a criação de 245 mil vagas em julho, segundo números revisados para cima, e foi o menor ganho em emprego em cinco meses.

O relatório, no entanto, pode ter sido prejudicado por um fator estatístico que nos últimos anos tem levado com frequência a fortes revisões para cima no número de empregos de agosto após leituras inicialmente fracas.

Indicando que a desaceleração no crescimento do emprego provavelmente não reflete a verdadeira saúde da economia, os dados de emprego para junho e julho foram revisados para mostrar 44 mil vagas de trabalho a mais do que informado anteriormente. Além disso, a renda média por hora trabalhada avançou 0,08 dólar, maior alta desde janeiro, e a semana média de trabalho alongou-se para 34,6 horas.

“O relatório de empregos certamente é bom o bastante para permitir uma elevação dos juros pelo Fed em setembro, a grande pergunta ainda é se a volatilidade no mercado financeiro vai arruinar os planos”, disse o chefe global de estratégia cambial do Deutsche Bank.

O dólar reduziu perdas contra uma cesta de moedas após a divulgação dos dados, enquanto os preços dos Treasuries diminuíram os ganhos.

ECONOMIA FORTE

Embora o relatório possa não mudar visões de que a economia dos EUA continua forte em meio aos mercados financeiros mundiais voláteis e à desaceleração do crescimento na China, pode complicar a decisão do Fed na reunião de política monetária que ocorrerá nos dias 16 e 17 de setembro.

Na esteira da recente venda generalizada de ações globais, os mercados financeiros reduziram significativamente as apostas durante o mês passado de uma alta dos juros em setembro. No entanto, o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, disse à CNBC na semana passada que ainda é cedo demais para decidir se a forte queda no mercado acionário tornou a elevação do juro menos atrativa.

Pesquisa da Reuters com economistas havia projetado que a criação de vagas fora do setor agrícola totalizaria 220 mil no mês passado, mas economistas alertaram que o modelo que o governo utiliza para harmonizar os dados por flutuações sazonais pode não incorporar adequadamente o início de um ano novo escolar.

Eles disseram que os dados podem ser ainda mais ofuscados por causa da taxa de resposta tipicamente baixa de empregadores à pesquisa de emprego do governo de agosto. Uma autoridade do Departamento do Trabalho confirmou que a primeira estimativa de empregos em agosto é normalmente revisada para cima.

Ainda assim, o mercado de trabalho está melhorando e soma-se à leva de dados positivos, incluindo números sobre vendas de automóveis e moradias, que sugere que a economia está avançando com um forte ímpeto no começo do terceiro trimestre após ter um crescimento robusto ao ritmo anual de 3,7 por cento no período de abril a junho.

A queda de 0,2 ponto percentual na taxa de desemprego a levou para o menor nível desde abril de 2008, e deixou o desemprego na faixa que a maioria das autoridades do Fed acredita ser consistente com uma taxa de inflação baixa mas constante.

Uma medida ampla de desemprego que inclui pessoas que querem trabalhar mas que desistiram de procurar e aqueles que trabalham em vagas de meio período por não conseguirem encontrar empregos em tempo integral caiu para 10,3 por cento, o menor patamar desde junho de 2008, ante 10,4 por cento em julho.

As aberturas de vagas foram espalhados entre quase todos os setores da economia em agosto. Os setores de indústria e energia, que enfrentam a derrocada nos preços do petróleo do ano passado e o dólar valorizado, foram as exceções.

O aumento nos ganhos por hora os deixou 2,2 por cento acima do nível de um ano atrás, ainda bem abaixo da taxa de crescimento de 3,5 por cento que economistas consideram saudável. Alguns analistas acreditam que os ganhos estão sendo afetados por queda nos salários na área de serviços relacionados a campos petrolíferos.

Porém, o mercado de trabalho cada vez mais apertado e decisões de vários governos estaduais e locais de elevar o salário mínimo devem eventualmente traduzirem-se em crescimento mais rápido da renda e dar ao Fed a confiança de que a inflação, que teve um colapso junto com os preços do petróleo, irá se mover para mais perto de sua meta de 2 por cento.

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