6 de Outubro de 2015 / às 16:53 / 2 anos atrás

Corte de investimentos da Petrobras afetará indústria do petróleo, diz associação

Logo da Petrobras em frente a prédio da empresa em São Paulo. 23/04/2015Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Empresas que atuam na indústria de plataformas e sondas de petróleo estão entre as que serão afetadas pelo novo corte de investimentos da Petrobras, anunciado na véspera, indicou nesta terça-feira o diretor-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo (Abespetro), Paulo Martins.

Ainda que não tenha feito um cálculo sobre o impacto da redução de gastos operacionais e investimentos de 18 bilhões de dólares projetada pela Petrobras, nos próximos dois anos, Martins indicou que o setor não sairá ileso do movimento do principal cliente do setor no Brasil.

A previsão de investimentos da Petrobras para este ano foi reduzida de 28 bilhões para 25 bilhões de dólares, e para 2016 de 27 bilhões para 19 bilhões de dólares. Já os gastos operacionais foram reduzidos de 30 bilhões para 29 bilhões de dólares este ano, e de 27 bilhões para 21 bilhões de dólares em 2016, informou a estatal em fato relevante.

"A gente tem no Brasil um cliente dominante (Petrobras)... Toda e qualquer variação ou redução dos investimentos (desse cliente) afeta a indústria", afirmou ele a jornalistas, durante evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O diretor-presidente da Abespetro evitou fazer comentários mais aprofundados sobre o tema e alegou que a petroleira estatal não detalhou como o corte de investimentos deve influenciar na realização dos seus projetos.

A Abespetro possui 48 empresas associadas que atuam no segmento de plataformas e sondas, plataformas flutuantes (FPSOs), serviços, fabricação de equipamentos e embarcações. Entre as empresas associadas estão gigantes como a GE, Transocean, Seadrill, SBM, entre outras, segundo informação do site da associação.

REIVINDICAÇÕES

Martins foi um dos representantes de 23 entidades ligadas ao setor de petróleo e gás que se reuniram nesta terça-feira, um dia antes de a União ofertar novos blocos de exploração de óleo e gás na 13a Rodada de Licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Eles se encontraram para apresentar ao mercado uma agenda mínima necessária para a retomada dos investimentos no setor.

As demandas, que serão apresentadas pelas entidades ao ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, em 13 de outubro, traz velhas demandas do setor, como a realização de leilões de blocos periódicos, o fim da obrigatoriedade da Petrobras como operadora única do pré-sal, mais agilidade para os licenciamentos ambientais, aperfeiçoamento das regras de conteúdo local, dentre outras questões.

Além da Abespetro, assinaram o documento entidades como o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), e as federações das indústrias dos Estados do Rio e de São Paulo.

Questionados sobre qual a expectativa das entidades sobre a recepção do governo em relação ao documento que será apresentado, as entidades evitaram comentar e frisaram que o diálogo com a imprensa e com a sociedade se faz necessário para que o governo entenda a urgência das posições da indústria de petróleo.

Martins destacou que os representantes das entidades estão na indústria há pelo menos 30 anos e que é “inadimissível” que o governo não ouça as avaliações da indústria de petróleo, que tem “capacidade´ para ajudar a situação do setor melhorar.

"E não existe nenhum ministro que esteja no mercado há 30 anos, que conheça óleo e gás há 30 anos", afirmou Martins.

O presidente do IBP, Jorge Camargo, destacou ainda a relevância das descobertas de petróleo e gás no Brasil e o potencial para sair da atual crise, caso decisões que as entidades avaliam serem corretas sejam tomadas.

Segundo Camargo, devem ser investidos do Brasil entre 20 bilhões e 25 bilhões de dólares no setor de petróleo em 2016, enquanto no mundo serão investidos 700 bilhões de dólares. Para ele, o Brasil tem potencial para triplicar esses investimentos.

Por Marta Nogueira

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below