13 de Outubro de 2015 / às 12:56 / em 2 anos

Economistas veem inflação a 6% e indústria contraindo 1% em 2016

SÃO PAULO (Reuters) - As projeções de economistas de instituições financeiras para a economia e a inflação no Brasil voltaram a piorar de forma generalizada, com as expectativas para a alta do IPCA no próximo ano batendo em 6 por cento e 5 por cento em 2017, movimento que vai de encontro ao objetivo do Banco Central de garantir expectativas na meta no final do próximo ano.

Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

A pesquisa Focus do BC divulgada nesta terça-feira mostrou ainda que a estimativa para a Selic no final do ano que vem voltou a subir, apesar de a previsão para a contração da economia, em especial da indústria, piorar em 2016.

A projeção para a inflação em 2016 subiu pela 10ª semana seguida e agora é de 6,05 por cento, contra 5,94 por cento na pesquisa anterior. A meta do governo para o ano que vem é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o BC repete constantemente que seu objetivo é guiar as expectativas para o centro da meta no final de 2016.

O dólar é um dos pontos de pressão sobre a inflação. Pelo Focus, a projeção dos especialistas agora é de 4,15 reais no final de 2016, contra 4 reais na pesquisa anterior.

O cenário da inflação para 2017 e 2018 também piorou, chegando respectivamente a 5,0 e 4,7 por cento, sobre 4,86 e 4,54 por cento anteriormente.

Para 2015, o levantamento semanal mostrou alta de 9,70 por cento do IPCA, com a projeção para o dólar ao final deste ano permanecendo em 4 reais.

Em setembro, o IPCA subiu 0,54 por cento, acelerando ante alta de 0,22 por cento em agosto e chegando a 9,49 por cento no acumulado em 12 meses.[nL1N1270MC]

Em relação à política monetária, os especialistas consultados não alteraram sua visão de que a Selic vai encerrar este ano no atual patamar de 14,25 por cento. Mas, diante das pressões inflacionárias, elevaram a projeção para o final de 2016 a 12,63 por cento na mediana das expectativas, contra 12,50 por cento no levantamento anterior.

Para a trajetória da taxa, os especialistas consultados continuam vendo o início da queda em julho, para 13,75 por cento.

O Focus mostrou ainda que as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) pioraram novamente em meio ao cenário de forte crise econômica e política e deterioração da confiança dos agentes econômicos.

Agora a expectativa é de contração de 1,20 por cento na atividade em 2016, contra queda de 1 por cento antes. Para este ano, a projeção de retração passou a 2,97 por cento, sobre recuo de 2,85 por cento na pesquisa anterior.

Isso diante da forte deterioração na expectativa para o desempenho da produção industrial em 2016, que passou a queda de 1 por cento, contra recuo de 0,29 por cento no levantamento anterior. Para este ano, a projeção para o setor é de contração de 7 por cento, ante queda de 6,5 por cento.

Veja abaixo os dados sobre a expectativa do mercado, pela mediana das projeções:

2015 2016

Indicador Anterior Atual Anterior Atual

.IPCA 9,53% 9,70% 5,94% 6,05%

.Dólar (fim do ano) R$4,00 R$4,00 R$4,00 R$4,15

.Selic (fim do ano) 14,25% 14,25% 12,50% 12,63%

.Dívida líquida/PIB 36,00% 35,90% 39,35% 39,50%

.PIB (crescimento) -2,85% -2,97% -1,00% -1,20%

.Indústria (crescimento) -6,50% -7,00% -0,29% -1,00%

.Conta corrente (US$ bi) -68,00 -65,50 -54,00 -50,00

.Balança (US$ bi) 12,00 12,99 24,00 25,00

.IED (US$ bi) 64,00 61,50 61,00 60,00

.Preços administrados 15,55% 16,00% 6,00% 6,27%

Por Camila Moreira; Edição de Alexandre Caverni

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