29 de Outubro de 2015 / às 16:38 / 2 anos atrás

Usiminas cortará investimento pela metade em 2016, mas alavancagem vai subir

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas deve cortar pela metade os investimentos em 2016, mas a empresa não espera que o corte produza uma redução no nível de endividamento nos próximos trimestres o que vai obrigar o pedido de autorização de credores para descumprimento de limites de dívida, afirmou o vice-presidente financeiro da siderúrgica, Ronald Seckelmann, nesta quinta-feira.

O executivo disse em teleconferência com analistas que o investimento em 2015 ficará abaixo de 750 milhões de reais, que já é menor que o 1,11 bilhão de reais aplicados em 2014.

A Usiminas terminou setembro com uma relação de dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 6,8 vezes, bem acima do nível acordado com credores de 3,5 vezes e dos 3,7 vezes do final de junho.

"Dentro das circunstâncias de mercado vamos trabalhar nos próximos 12 a 18 meses para refinanciar nossos próximos vencimentos", disse Seckelmann, citando que a empresa também segue avaliando venda de ativos e implementando medidas para reduzir capital de giro.

Segundo ele, a maior parte dos limites de endividamento (covenants) acertado com credores refere-se à dívida líquida.

Seckelmann, porém, afirmou que "não tem a menor ideia" sobre as condições que serão exigidas pelos credores da Usiminas para aceitarem a quebra dos covenants mais uma vez. A empresa já tinha pedido permissão (waiver) para desobedecer covenants em junho. Os períodos de verificação ocorrem ao final do segundo e quarto trimestres de cada ano.

O vice-presidente financeiro da Usiminas disse que o conjunto de credores da empresa "é pequeno". "Temos poucas operações de mercado. A Usiminas desfruta de ótimo relacionamento com credores o que deve facilitar as conversas", disse Seckelmann aos analistas.

Às 14h16, as ações da Usiminas recuavam 1,72 por cento, enquanto o Ibovespa mostrava baixa de 1,33 por cento. Desde o começo do ano, as ações acumulam desvalorização de 42 por cento até o fechamento de quarta-feira.

O presidente-executivo da Usiminas, Rômel Erwin, afirmou aos analistas que os números negativos da companhia exigem da administração "um posicionamento contundente e firme", mas durante a teleconferência os executivos não informaram metas para recuperação dos resultados da companhia.

Durante a teleconferência, os executivos da empresa citaram o cenário de crise do mercado siderúrgico mundial e a recessão brasileira entre os motivos para os resultados do terceiro trimestre.

A Usiminas terminou o terceiro trimestre com um Ebitda negativo em 65 milhões de reais que veio acompanhado do quinto prejuízo trimestral consecutivo, que somou 1 bilhão de reais.. A margem Ebitda ficou negativa em 2,7 por cento.

Pouco antes, a rival Gerdau, que tem investido em aços planos no Brasil, foco da Usiminas, divulgou Ebitda de sua operação no Brasil de 470 milhões de reais para o terceiro trimestre e margem de 12,6 por cento, com crescimento na receita a 3,7 bilhões de reais.

Erwin assumiu a gestão da Usiminas depois que os acionistas controladores da companhia, os grupos Nippon Steel e Ternium, entraram em choque no ano passado, em uma disputa de poder que resultou na saída de Julián Eguren, e de outros executivos indicados pela Ternium do comando da empresa no final de setembro de 2014.

Executivos da Usiminas têm afirmado que a disputa dos controladores não tem interferido na gestão da companhia, mas desde o segundo trimestre do ano passado a Usiminas não consegue obter resultado positivo.

Analistas afirmaram durante a teleconferência que após o resultado do terceiro trimestre a companhia teria recursos apenas para honrar compromissos nos próximos 12 a 18 meses e questionaram se a Usiminas poderia optar por uma operação de aumento de capital com a emissão de novas ações.

Seckelman não contestou o cálculo e não respondeu se a empresa estaria avaliando um aumento de capital, mas afirmou que tanto o Conselho de Administração da Usiminas quanto a diretoria executiva "trabalham em sintonia bastante estreita e com total transparência sobre números e medidas que devem ser tomadas".

Entre as medidas está a decisão de parar temporariamente a produção de aço na usina siderúrgica de Cubatão, no litoral de São Paulo. A usina deixará de produzir placas, mas manterá as atividades de laminação. Seckelman não revelou em quanto cairá o custo da Usiminas com a paralisação, mas disse que nenhuma das medidas implementadas pela empresa para melhorar sua eficiência terão efeito relevante no curto prazo.

Por Alberto Alerigi Jr.

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